Cidade do Cabo, 26 (AE-REUTERS) - O presidente sul-africano Nelson Mandela, de 80 anos, foi ovacionado de pé nesta sexta-feira (26) por políticos de todas as correntes ao concluir seu emocionado discurso de despedida do Parlamento, reunido pela última vez antes das eleições gerais de 2 de junho.
Antes de sua fala, todos os líderes dos partidos políticos, incluindo os da mais dura oposição, prestaram tributo ao líder sul-africano, reconhecendo seu papel histórico.
O dirigente da Frente da Liberdade Africânder, Constant Viljoen - que dirigiu o Exército durante o regime do apartheid - surpreendeu os presentes ao discursar na língua africana xhosa, da família de Mandela.
"Descanse em paz, senhor presidente. Você deve ir e descansar à sombra de uma árvore em sua terra", disse Viljoen. Outro oposicionista, Marthinus van Schalkwyt, o líder do Novo Partido Nacional - agremiação que ocupou o poder no regime do apartheid - , frisou: "O presidente "entendeu as dificuldades da nação e sua rica e enorme diversidade, assim como a necessidade de cicatrizar nossas feridas do passado, e soube ser presidente para todos."
Na saída, Mandela teve de parar várias vezes na saída para cumprimentar pessoalmente os parlamentares.
Ele vai aposentar-se depois de entregar em junho o poder para o segundo presidente democraticamente eleito no país após o fim do regime de segregação racial, o apartheid, e vai morar com sua mulher Graça Machel, na região do Transkei, no sul do país.
Deixa o poder desfrutando de elevada popularidade no país por ter conseguido liderar a transição pacífica da áfrica do Sul do apartheid para um governo de maioria negra, com o status de estadista internacional e ainda com toda a probabilidade de fazer seu sucessor: o vice-presidente Thabo Mbeki, candidato do partido de Mandela, o Congresso Nacional Africano. Mbeki é de longe o mais cotado nas pesquisas.
"Nós introduzimos as bases para uma vida melhor. Coisas inimagináveis há alguns anos se converteram em realidade cotidiana. E disso temos de estar orgulhosos", disse Mandela, do mesmo pódio no qual em 1990 o então presidente sul-africano, Frederik W. Klerk anunciou a sua libertação da prisão, após 27 anos, e o início de conversações que culminaram na realização das eleições de 1994.
"Pertenço a uma geração de líderes que lutaram no exílio, foram presos, viveram na clandestinidade e foram perseguidos, como Olivier Tambo, Anton Lembede, Duma Nokwe e outros. Por isso sou muito afortunado", afirmou.
Ao mesmo tempo que homenageou os heróis da luta antiapartheid, Mandela enalteceu também a minoria africânder, integrada pelos descendentes dos primeiros colonos holandeses, os quais ele caracterizou como parte indivisível da nova sociedade sul-africana".
Em 1960, Mandela foi um dos primeiros líderes da luta antiapartheid a defender a resistência armada. Quatro anos depois foi condenado à prisão perpétua por tentativa de sabotagem e enviado a uma colônia penal numa ilha, onde passou 18 anos. Foi transferido mais tarde para outras penitenciárias e libertado em 1990, aos 71 anos.

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