JOHANNESBURGO, áfrica do Sul, 28 (AE-AP) - O governo sul-africano está estudando uma proposta para "castrar quimicamente" os condenados por estupro, crime que registra crescimento assustador no país, anunciou hoje (28) o vice-presidente sul-africano, Jacob Zuma, em debate no Parlamento. "A medida funcionará como meio de dissuasão."
O anúncio foi feito pouco depois de um pronunciamento, também no Parlamento, do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, que classificou a áfrica do Sul de "capital mundial do estupro". Segundo Mbeki, ocorrem anualmente no país 1,8 milhão de casos de violação.
O vice-presidente esclareceu que a decisão definitiva sobre a castração química só será adotada depois de um parecer da Comissão Sul-Africana de Juristas (CSJ). "Teremos de rever as leis sobre crimes sexuais e as opções para imposição de sentenças."
A proposta causou grande polêmica em diversas entidades não- governamentais. O Centro de Ajuda a Mulheres Violadas, por exemplo, criticou a medida. "A castração química não vai servir como como meio dissuasório, pois não se pode confundir a libido com o ato criminal da violação", argumentou Carol Bower, diretora da instituição. "Violação é violência física e não sensualidade: tem como causa única o desejo de poder e a violência."
Pela proposta em estudo no governo, os condenados por estupro receberiam doses periódicas de hormônios femininos, mediante injeção. Com isso, teriam reduzidos os níveis de testosterona e, consequentemente, o desejo sexual.
Recentemente, a ministra da Justiça, Cheryl Gilwall, fez um relato impressionante sobre a magnitude do problema. Ela disse que a cada 17 segundos uma mulher é estuprada na áfrica do Sul. "Uma em cada duas mulheres sofre esse tipo de violência aqui no transcurso de sua vida."
A ministra da Justiça destacou que o problema não atinge apenas as mulheres. "As estatísticas indicam que um em cada cinco homens sul- africanos é igualmente violado ao longo de sua existência." Contribuiu para agravar o quadro crença de que estuprar uma virgem cura a aids, o que só agrava a proliferação da doença.
Mbeki também anunciou hoje uma campanha de esclarecimento e disse que a distribuição de medicamentos, como o AZT, será uma das prioridades de seu governo.
Dados estatísticos internacionais põem a áfrica do Sul como o país com maior índice de delinquência do mundo. É o país mais perigoso para se visitar ou viver, com exceção dos que se encontram em estado de guerra.

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