O tom monocromático dos confortáveis carros deixados no estacionamento da Câmara de Vereadores de Londrina foi quebrado na manhã de ontem. No lugar dos sedans pretos, brancos, ou no máximo pratas, fuscas de toda a sorte de cores. Aficionados pelo carro - que para muitos continua sendo o mais querido do Brasil - se reuniram para comemorar o Dia Nacional do Fusca.
A data, na verdade, é celebrada em 20 de janeiro, mas os organizadores optaram por fazer o encontro no fim de semana para reunir o maior número de participantes. Segundo Tatiane Fávaro, organizadora do evento, 160 fuscas passaram pelo local. A maioria era de Londrina, mas o evento também atraiu "fuscólogos" de cidades da região metropolitana de Londrina (RML), Noroeste e Norte Pioneiro. "Como temos essa paixão em comum, histórias não faltam. Costumamos dizer que o fusca é a incrível máquina de fazer amigos", conta.
Criado pelos alemães para uso durante a Segunda Guerra Mundial, o modelo Volskwagen também fez parte da cultura hippie de paz e amor. No encontro, organizado pelo grupo Sexto Elemento, foi possível ver as duas referências. Em um dos carros, adesivos de cunho militar; em outro, um bagageiro no teto com pranchas de surf. "Não tem um perfil padrão de pessoas aqui. O que importa é gostar de fusca", comentou.
O formato diferenciado rendeu vários apelidos para o fusca mundo afora. É chamado de besouro nos Estados Unidos; tartaruga, na Bolívia, baratinha, em Cabo Verde; e sapo, na Indonésia. Até dentro do Brasil há variações como fuque ou fuca, resultado das variantes da abreviação das iniciais da fabricante. Para o vendedor José Mario Vinhoto, de 56 anos, é Fuscão. Há cinco anos realizou o sonho de comprar um modelo 1500 ano 1972. Investiu cerca de R$ 15 mil até conseguir a placa preta de colecionador, o que garante mais de 80% de originalidade. "Eu posso te garantir que esse tem 95% de originalidade. O que escapa é uma coisinha ou outra", orgulhou-se.
Ele lembrou que quando comprou, o fusca estava "meio caidão". "Fazia um barulho danado, minha mulher odiava. A gota d’água foi quando eu convidei a sogra pra dar uma volta com a gente e ela machucou a perna no banco traseiro. Mas depois que reformei, todo mundo gosta dele". Vinhoto participou do piquenique e ficou até o fim do evento, às 17 horas. "No próximo encontro eu estarei de volta", planeja.

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