Afaste os riscos para manter o coração jovem
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domingo, 01 de outubro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Pense bem: você quer chegar aos 40 com um coração de 80? Senão, reavalie seus hábitos. Ainda é tempo de adotar um estilo de vida saudável e manter o coração jovem. Este é o tema da campanha deste ano da Federação Mundial de Cardiologia (World Heart Federation), apoiada pelo laboratório sanofi-aventis, que alerta sobre a importância de conhecer, medir e controlar os cinco principais fatores de risco cardiometabólicos. Em Londrina, a campanha acontece hoje com uma programação no calçadão.
A maioria das pessoas sabe qual é o seu peso corporal e altura, mas desconhece a medida da pressão arterial, os índices de colesterol ou triglicérides, a taxa de açúcar no sangue, ou a medida da circunferência abdominal. E estes são os cinco principais fatores de risco que podem levar às doenças cardiovasculares e ao desenvolvimento de diabetes.
O médico Alfredo Halpern, professor da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP) e chefe do grupo de obesidade e síndrome metabólica do Hospital das Clínicas, explica que nos países em desenvolvimento os fatores clássicos de risco, como o tabagismo, estão diminuindo.
Em contrapartida, aumentam novos fatores, como a obesidade. ''A gente sabe que a população de baixa renda está conseguindo comprar mais comida, só que alimentos menos saudáveis'', afirma Halpern, ressaltando que se o indivíduo teve desnutrição na infância, terá mais facilidade para engordar depois, pois são pessoas ''mais predispostas a guardar energia''.
O médico Henrique Suplicy, professor de endocrinologia e metabologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), ressalta que hoje a gordura abdominal é um dos fatores de maior risco. Isto porque a gordura nas vísceras funciona como um órgão endócrino ativo no organismo, liberando substâncias que podem levar ao aumento dos índices de triglicérides, do colesterol ruim (LDL) e dos níveis de açúcar no sangue, além de elevar a pressão arterial e reduzir o bom colesterol (HDL).
O cardiologista Álvaro Avezzum, diretor da divisão de pesquisa do Instituto Dante Pazzanesse de Cardiologia de São Paulo, explica que quanto mais fatores de risco não controlados, mais ''velho'' é o coração. ''O indivíduo que apresenta os fatores de risco tem 300% a mais de chances de ter um enfarte'', aponta.
Segundo Avezzum, uma pesquisa publicada na revista New England mostra que nos Estados Unidos a previsão é que a obesidade vai reduzir a expectativa de vida da população. ''Os que hoje são adolescentes vão viver menos que seus pais'', alerta. A boa notícia é que todos esses fatores de risco podem ser controlados ou modificados e isso passa por mudança no estilo de vida, o que na prática significa alimentação saudável e atividade física. ''É melhor o 'gordinho' ativo que o magro sedentário'', afirma Suplicy.
A campanha, que aconteceu na última semana em outras 11 cidades, teve o apoio das sociedades brasileiras de Cardiologia, de Diabetes, de Endocrinologia e Metabologia e de Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica.
Serviço: Hoje, em Londrina, a partir das 9 horas, no Calçadão, a população poderá receber mais informações sobre os fatores de risco cardiometabólicos
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da sanofi-aventis


