Curitiba - Neste ano, a médica aposentada Sílvia Prado Carneiro passou por duas cirurgias nos joelhos para colocar próteses de titânio Nos dois procedimentos foi realizada a anestesia raquidiana, aplicada nas costas, que deixa as pernas e abdome imóveis temporariamente O que para muitos é motivo de medo e receio, para Sílvia foi uma simples etapa para o procedimento cirúrgico
Antes das cirurgias, a paciente fez avaliações pré-anestésicas para eliminar qualquer imprevisto na sala operatória O anestesista acompanhou toda a cirurgia ''O profissional que faz a avaliação deve ser quem estará na sala de cirurgia Isso traz mais confiança'', opina
Nem todos os pacientes têm a tranquilidade mostrada por Sílvia, sobretudo quando submetidos a anestesia geral Um recente estudo feito na Inglaterra apontou que 85% das pessoas ficam ansiosas dias antes de ser submetido a uma anestesia Medo de morrer e de acordar durante a cirurgia foram as respostas mais comuns Parte dos entrevistados tinha mais receio da anestesia que da própria operação
Segundo o anestesiologista Clóvis Marcelo Corso, do Hospital Vita Curitiba, o procedimento está muito mais seguro Na década de 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) admitia uma morte para cada 10 mil pacientes que passavam por uma anestesia geral Hoje, este número saltou para uma possibilidade de morte para 200 mil pacientes Hospitais de ponta trabalham com o índice de um problema para cada 300 mil procedimentos
''O paciente que não tem medo da cirurgia é aquele que já passou pelo processo e sabe que não há problema Quem nunca fez tem receio pois escuta o amigo, vizinho ou familiar dizer que já ficou sabendo de algum caso de pessoa que não acordou Mas hoje, com os equipamentos existentes, isso é um acontecimento raro'', explica
Os exames pré-anestésicos são variáveis quanto à cirurgia e à idade Se o paciente tem até 40 anos, é saudável e o procedimento é de pequeno porte, eles não são necessários Entre 40 e 60 anos é indicada uma avaliação do cardiologista Acima dos 60 há mais chances de doenças de base, como diabetes e hipertensão Nesses casos, uma consulta específica é indicada ''Não existe patologia que impeça a anestesia O ideal é adaptar o procedimento para as condições de saúde de cada paciente ''
Antes da anestesia é necessário um jejum de oito horas A ação anestésica costuma ser imediata São poucos segundos para o medicamento chegar ao cérebro O procedimento pode ser intravenoso (aplicação de medicamento com dose adaptada para a duração da cirurgia) ou inalatório (através de gases), quando o paciente fica entubado durante todo o tempo
Corso alerta que não é possível subestimar uma cirurgia Por isso, torna-se inviável realizar o procedimento em um hospital que não tenha condições e especialistas em cada área ''Como todo procedimento invasivo, existe risco Mas se o hospital é adequado, o risco é baixo

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