Pirituba, SC, 26 (AE) - O afastamento dos representantes dos sócios estrangeiros da Cemig, por decisão do governo mineiro
poderá atrasar o ritmo das obras da Usina Hidroelétrica de Machadinho, em construção no rio Pelotas na divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O receio dos dozes empreendedores do projeto é que os bancos internacionais restrinjam a liberação de financiamento para obra em função do precedente aberto pela "quebra de contrato" em Minas Gerais.
Segundo o presidente da Machadinho Energética S.A. (MAESA), João Canellas Pires de Mello, o "efeito CEMIG" pode afetar todos os investimentos no setor elétrico brasileiro. "Uma sinalização será o leilão da Cesp Tietê, em São Paulo, amanhã (27)", comentou. O presidente do consórcio que reúne onze empresas responsável por 83% da Usina de Machadinho (a Gerasul tem 17%) explicou que os sócios já colocaram US$200 milhões em recursos próprios no projeto. Restam ainda perto de US$420 milhões, que serão financiados pelo BNDES e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
A parte do BID (US$220 milhões) divide-se me US$75 milhões em capital da própria instituição e US$175 milhões em recursos sindicalizados do ABN Amro Dresdner Bank.
Um eventual problema na liberação destes créditos externos, conforme Mello, poderia comprometer a velocidade das obras da usina principalmente devido as dificuldades de aportes pelos sócios estatais (Celesc, Copel, CEEE e Departamento Municipal de Energia de Poços de Caldas). O prórpio BNDES condicionou seu empréstimo à aprovação da operação com o BID, informou o presidente.
De acordo com o executivo, apesar do "efeito Cemig" a Maesa obteve a aprovação da estrutura do projeto de Machadinho junto ao BID após "exaustivas reuniões" com técnicos da instituição e dos bancos internacionais, para explicar o modelo de gestão da usina e negociar as garantias exigidas pelos credores. Elas incluem o comprometimento dos sócios em assumir a participação de um empreendedor que eventualmente desista do projeto e ainda a constituição de uma empresa de comercialização (Machadinho Trading) para vender a energia de qualquer integrante que se retire do consórcio.
Com à aprovação da estrutura do projeto pelo BID, abrem-se perspectivas de liberação de um empréstimo-ponte do BNDES no valor de R$160 milhões, disse Mello. O valor equivale a oito meses de desenbolsos nas obras até a liberação dos empréstimos definitivos esperada para o terceiro trimestre do ano que vem.
De acordo com o presidente da Maesa, o prazo estimado para o pagamento dos empréstimos é de dez anos. Os aportes financeiros são de responsabilidade do consórcio, liderado pela Alcoa Alumínio e Grupo Votorantin e integrado ainda pela Inepar e sócios estatais. A Gerasul entrou com a concessão para geração de energia válida por 35 anos.
As obras da usina que terá potência de 1.140 MW, iniciaram em março do ano passado e a primeira das três usinas devem entrar em operação em agosto de 2002. Daqui a pouco será realizada a solenidade de desvio e fechamento do rio Pelotas, no ponto onde será construída a barragem. O reservatório que abastecerá a usina tem 64 quilômetros quadrados sobre seis municípios catarinenses e quatro gaúchos.

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