Os sucessivos acidentes ocorridos em instalações da Petrobras fizeram com que a empresa chegasse a cogitar a hipótese de estar sendo vítima de sabotagem. Em janeiro, logo após o vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, foi realizada uma reunião com representantes da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, da Petrobras, além de engenheiros. A hipótese, no entanto, foi afastada.
‘‘Não vimos nada que indicasse sabotagem, mas o acidente no Paraná voltou a causar estranheza’’, afirmou o vice-diretor da Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ (Coppe), Luiz Pinguelli Rosa, que participou da reunião. A conclusão a que se chegou, no entanto, foi que os acidentes tiveram causas diversas. Para Pinguelli, tanto no caso do derrame de óleo na baía, quanto no vazamento de 4 milhões de litros de óleo no Paraná, este mês, ‘‘houve erro da Petrobras’’.
Na avaliação do vice-diretor da Coppe, a estatal concentrou seus investimentos na produção de petróleo e destinou poucos recursos para a manutenção de dutos e refinarias. ‘‘Além disso, a empresa dá uma ênfase maior à tecnologia do que ao treinamento de pessoal.’’
Para o diretor de controle ambiental da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), Francisco Sertã, a série de acidentes pode ser explicada pela conjunção de dutos antigos com sistemas de controle pouco eficientes.
O superintendente de Dutos e Terminais do Sudeste (DTSE), Richard Ward, afirmou ontem que o número de acidentes está bem abaixo do padrão mundial considerado aceitável. ‘‘Tivemos dois acidentes desde janeiro, mas a taxa mundial é de 0,8 acidente por mil milhas de dutos por ano’’, afirmou, referindo-se apenas aos vazamentos ocorridos nas instalações do DTSE. Ward admitiu, no entanto, que o problema afeta a imagem da estatal. ‘‘É por isso que o presidente da empresa (Henri Philippe Reischtul) está investindo US$ 1 bilhão e antecipando os trabalhos de automação e inspeção’’, disse.
Na avaliação do presidente da Feema, Axel Grael, pequenos vazamentos, como o ocorrido no fim de semana em Paracambi, são rotineiros. ‘‘A imprensa está com o olhar voltado para a Petrobras’’, disse. Ele lembrou que uma auditoria está sendo realizada nas instalações da empresa, mas que ‘‘a Feema não tem como estar ciente do que acontece em cada metro de duto’’.(A.E)

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