Rio, 10 (AE) - A AES Bandeirantes, braço brasileiro da americana AES Corporation, será a sócia da Lightpar no polêmico negócio de exploração das redes de transmissão da Eletrobrás para o segmento de telecomunicações. A empresa arrematou hoje, pelo preço mínimo de R$ 290 milhões, 50,01% das ações da Eletronet (nome fantasia criado para a empresa de infovias), em leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ).
Os outros dois potenciais participantes, a inglesa National Grid e o banco Opportunity, sequer chegaram a entregar as garantias para participar do leilão, o que causou surpresa ao mercado.
O principal executivo da AES no Brasil, David Travesso, destacou que o objetivo da empresa será o de prover acesso, por meio das infovias, às empresas de telecomunicações. Apesar de esta ser a principal finalidade da Eletronet, a Eletrobrás fez questão de destacar durante o processo de venda que o edital autorizava a vencedora a fornecer serviços de telecomunicação ao consumidor final, a partir da abertura do mercado de telecomunicações.
Alguns analistas de mercado chegaram a apontar esse fato como um dos motivos para a alta das ações da Lightpar ocorrida logo após a divulgação do edital. Travesso destacou, no entanto, que esse fornecimento não está nos planos da empresa.
O executivo admitiu que a National Grid, através da Bonari, é um potencial grande cliente da Eletronet - uma vez que é a única, além da Embratel, com autorização de operar serviços de longa distância. Mas observou que em 2001 o mercado de telecomunicações estará aberto e as operadoras regionais poderão expandir suas atuações. A expectativa de Travesso é que a Eletronet comece a operar exatamente no mesmo ano dessa abertura.
Travesso estimou que serão necessários investimentos na Eletronet no valor de R$ 500 milhões, em quatro anos. O número inclui os R$ 290 milhões pagos pela AES na aquisição das ações. O restante sairá do caixa da Eletronet. "Esse dinheiro poderá vir de financiamentos feitos no mercado financeiro ou junto aos fornecedores dos equipamentos que serão comprados", explicou. Já o valor pago no leilão virá da matriz da AES.
O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, fez questão de ressaltar que a estatal não desembolsará recursos para a Eletronet. Sampaio estimou que a empresa arrecadará, com o aluguel das linhas de transmissão à Eletronet, entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões por ano. A Lightpar será a responsável pelo gerenciamento deste aluguel e terá o direito de ficar com 2% do valor arrecadado. Além disso, ficará com 100% do lucro referente à participação da Lightpar no negócio.

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