Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Vereador de Maringá propõe aproveitar estrutura do Gastão Vidigal para autódromo, praça de eventos e de competições
O presidente da Câmara de Vereadores de Maringá, João Alves Corrêa (PMDB), o John, quer transformar o Aeroporto Gastão Vidigal em um autódromo, assim que terminarem as obras do novo aeroporto, no ano que vem. A idéia surgiu por causa da infra-estrutura do local, que, segundo ele, é ideal para uma pista de corridas. ‘‘Com a pista de decolagem e de taxiamento, temos pelo menos 50% de estrutura pronta para um autódromo’’, diz.
A princípio, John quer montar um local versátil e que possa ser aproveitado por várias modalidades de esportes e não somente o automobilismo. ‘‘O lugar é amplo e, pelo projeto, poderemos construir uma pista reversível para 11 modalidades como kart, motociclismo, fórmula truck e até o aeromodelismo’’. Ele ressalta que toda a estrutura estará de acordo com as normas da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
O obstáculo para a transformação do local em autódromo pode ser uma cláusula contratual do Ministério da Aeronáutica que prevê a devolução da área para o antigo dono, a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, se o terreno deixar de ser aeroporto. ‘‘Com a aprovação do prefeito, vamos iniciar a negociação para viabilizar a cessão, mas acho que a Companhia Melhoramentos não vai se opor, já que ela sempre foi favorável ao progresso da cidade’’, acredita John.
O advogado da Companhia Melhoramentos em São Paulo, Sérgio Marangoni, disse à Folha que a empresa ainda não foi informada sobre o projeto e espera contato da prefeitura para discutir a cessão do terreno. ‘‘A Companhia Melhoramentos quer continuar colaborando com o município. As doações foram feitas desde que os órgãos responsáveis fizessem melhorias e o local tivesse uma função necessária para a cidade. Vamos verificar se Maringá realmente precisa de um autódromo ou de algo mais importante e depois resolver a questão’’, afirmou.
A construção do autódromo é uma vontade antiga. Em 1995, a prefeitura iniciou as obras em uma área de 54 alqueires atrás da Penitenciária Estadual de Maringá que custaria, na época, R$ 5 milhões. Por falta de verbas, foram abondonadas na terraplanagem.
‘‘A antiga idéia se tornou inviável com a alteração do terreno para a retirada de cascalho feita pelo SAOP (Serviço Autárquico de Obras e Pavimentação)’’, afirma o chefe de engenharia de tráfego da prefeitura e um dos autores do antigo projeto, Gilberto Purpur. Ele acredita que a iniciativa de Corrêa é viável por contar com boa infra-estrutura. ‘‘Lá no aeroporto já existe parte da pista, cercas, sanitários e o próprio prédio. O custo será razoável’’.
Sem apostar na concretização do futuro autódromo, o ex-piloto de corridas Eduardo Celidônio acha que Maringá precisa de um local apropriado para o esporte, desde que seja diferente de tudo que já existe no Paraná. ‘‘Se a pista não for oval e mista, será mais uma no interior do Brasil. É preciso fazer algo diferente para atrair o público que está cada dia mais exigente’’, opina. Para Celidônio, uma boa idéia é fazer um kartódromo, mais simples e que poderia incentivar as novas gerações. ‘‘Começar com o kart, seria o ideal porque é uma construção mais barata e realmente sairia do papel’’.
Também favorável à construção de um kartódromo, o piloto de motoclismo duas vezes campeão paranaense e paulista profissional, Sílvio César Zequim, acha que uma pista de kart iria agradar a todos. ‘‘Os motoqueiros também poderiam treinar neste tipo de traçado, além de ser um projeto mais realista’’. Para ele, Maringá tem certa tradição na área, mas ainda faltam investimentos e interesse. ‘‘O público prestigia e gosta da competição, seria uma forma de estimular o turismo’’, acredita.
Promover uma ‘‘injeção de ânimo’’ no turismo é um dos principais atrativos no projeto, conforme o autor, John Corrêa. ‘‘A indústria turística já é destaque em Maringá. Com o autódromo, só tende a aumentar e a cidade precisa disso’’, defende. Ele não acredita que o aeroparque, uma das propostas para utilização do terreno, idealizado por técnicos do Palácio Iguaçu, seja concretizado.
‘‘É mais uma utopia do governador. Se for para fazer uma área de lazer, que o espaço seja bem aproveitado com shows e eventos de grande porte, junto com o autódromo. O local já é bastante procurado por famílias para o lazer no final de semana e continuaria com esta vocação’’, acredita John.

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