A pista que os assaltantes do Vôo 280 da Vasp lançaram mão para implementar o plano de fuga é ampla, tem piso adequado, nenhum tipo de controle por instrumento, tem pouco movimento e localização estratégica.
No pouso controlado sob mira de armas, o Boeing 737 não precisou utilizar todo o comprimento da quarta maior pista em extensão do Estado. Dos 2,1 mil metros sobraram 700, para espanto de quem achava estar passando por uma prova de fogo. Mal sabiam que ali já havia pousado o Boeing 727, o avião que trouxe o presidente Ernesto Geisel à cerimônia de inauguração da Hidrelétrica de Capivara, em 1977.
‘‘Comenta-se que os engenheiros responsáveis pela pavimentação afirmaram que o piso suporta o peso de um Hércules (avião cargueiro) e a velocidade de um Concorde’’, arrisca Jonas Barbosa de Souza, diretor do Departamento de Administração da Prefeitura de Porecatu.
O Aeroporto Municipal Rubem Berta é herança dos anos dourados que a cidade viveu nos anos 70. No início daquela década, o canteiro de obras da Hidrelétrica de Capivara (no Rio Paranapanema, que divide Paraná de São Paulo) fervilhava com operários e técnicos especializados vindo de todas as regiões do País, além soviéticos, chilenos e mauricianos.
A usina de açucar local, fundada pelos Lunardelli, família pioneira no município, começava a dar lugar a um ambicioso projeto do Grupo Atalla. Uma unidade industrial capaz de produzir 6 milhões de sacas de açucar por safra estava sendo erguida e também fomentava o desenvolvimento e a migração. Neste período, a população do município chegou a 40 mil habitantes, mais que o dobro dos atuais 18 mil.
Foi nesta época, que o nunca checado título de ‘‘maior usina do mundo’’ contaminou de otimismo os Atalla, responsáveis pela ampliação da pista de 1.200 para 2.100 metros. A meta era utilizar aviões cargueiros para dinamizar as exportações.
O projeto não vingou e a usina nunca chegou nem próximo da utilização de sua capacidade máxima. O aeroporto serve hoje somente à pulverização agricola e a aterissagens e decolagens de políticos, autoridades e empresários locais. Não há funcionários, nem manutenção.
Nos anos 50, ainda com pista de terra, o aeroporto recebia vôos regulares das extintas Cruzeiro do Sul e Real, companhias que operavam vôos semanais partindo de Curitiba e São Paulo.

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