RIO - Uma ‘‘falha de comunicação’’, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), provocou a estocagem no Aeroporto Internacional do Rio, por vários dias, de 369 caixas de aço contendo urânio enriquecido para reator nuclear. A direção da CNEN informou que não há riscos para a população. Pesando ao todo 18 toneladas, as caixas chegaram da Inglaterra em duas datas: 26 de abril e 3 de maio. As 185 caixas desembarcadas em maio só foram vistoriadas no último dia 7.
Importado pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), o urânio já deveria ter sido transportado para Resende (RJ), para alimentar a usina nuclear de Angra 1, mas continuava até ontem estocado ao ar livre no terminal de cargas do aeroporto, na Ilha do Governador (zona norte). As caixas deverão ser transportadas até sexta. O gerente da Coordenação de Rejeitos Radioativos da CNEN, Paulo Heilbron, disse que as caixas podem ficar ao ar livre e não é necessária a vistoria no dia da chegada.
Segundo ele, o problema na demora da liberação começou quando a INB não avisou a tempo que as caixas viriam para o Brasil de avião. A previsão é que fossem transportadas de navio. A INB teria decidido mudar o procedimento, para agilizar a viagem, devido a riscos de blecaute na região Sudeste.
Heilbron afirmou que o processo de liberação para o transporte por caminhão, para Resende, foi retardado porque a CNEN precisaria antes aprovar um sistema especial de transporte por caminhão, ‘‘com medidas adicionais de segurança’’.
Isto porque parte das caixas é fabricada pela INB e não recebeu ainda o certificado de aprovação técnica da CNEN. Segundo ele, isto não é irregular nem existe risco de contaminação radioativa. Heilbron disse que as caixas, sem o certificado, precisam ser transportadas em menor número, em cada caminhão, e um supervisor de radioproteção da INB tem que acompanhar todo o transporte da carga.

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