Caos e horas de espera. O Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, fechou para pousos e decolagens às 16h52 de quinta-feira, reabriu na manhã de ontem durante 30 minutos, mas voltou a fechar às 9h23 sem reabertura até o início da noite. A vulnerabilidade às questões climáticas, apontada pelas autoridades como limitadora do desenvolvimento regional, tornou a ocorrer no dia que o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), discutia desapropriações com moradores da face norte do Aeroporto.
Entre várias melhorias, o projeto de ampliação do aeroporto prevê a instalação de um ILS (Instrument Landing System), sigla inglesa para sistema de pouso por aparelhos. A falta do aparelho contribuiu para o cancelamento de 17 voos ontem em Londrina. Quatro aeronaves tiveram que fazer o pouso no Aeroporto Sílvio Name Junior, em Maringá. Segundo dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), o Aeroporto de Londrina permaneceu fechado por 93 horas durante o primeiro semestre deste ano. Um estudo da Prefeitura de Londrina aponta que a instalação de um ILS pode reduzir em pelo menos 10% o número de cancelamentos de voos por mau tempo. A infraestrutura logística é fator importante de desenvolvimento para a região, tema que já foi debatido em uma das edições do ENcontros FOLHA.

BONS EXEMPLOS


Dois aeroportos brasileiros em cidades do porte de Londrina que receberam o reforço do ILS no ano passado completaram o primeiro ano de instalação com reduções expressivas do número de voos cancelados. No Aeroporto de Joinville (SC) - município de 554 mil habitantes -, o aparelho foi instalado em junho do ano passado e resultou em ganho operacional de 70%. Na semana passada, após um ano de operação, foram registradas 102 operações de pousos e decolagens com o aeroporto atuando em condições de ILS. Nesse período, o terminal ficou fechado por 62 horas e 13 minutos por conta do mau tempo. Caso o aeroporto não tivesse o ILS, teria ficado fechado por 211 horas e 34 minutos.
Para o superintendente do terminal catarinense, Rones Rubens Heidemann, o primeiro ano de operação da ferramenta superou as expectativas e deve ampliar a oferta de voos na cidade. "O ganho operacional já reflete na percepção dos passageiros. O ILS tem possibilitado pousos com mais facilidade e mais segurança em Joinville durante situações meteorológicas adversas", disse. "O número de passageiros também está crescendo e com esse crescimento teremos novos voos, novos destinos", acrescentou.
O Aeroporto de Uberlândia (MG) - 654 mil habitantes - completou um ano de funcionamento do ILS no dia 27 de fevereiro deste ano. Um balanço feito pela superintendência local da Infraero apontou que o uso do aparelho evitou o fechamento do terminal por 110 horas. Segundo o levantamento, o Aeroporto Tenente-Coronel-Aviador César Bombonato ficou fechado por 89 horas. Sem o ILS, poderia ficar fechado por 199 horas, média verificada no aeroporto nos anos anteriores.
Segundo o superintendente local da Infraero, Sérgio Kennedy, somente seis voos comerciais não puderam pousar ou decolar em virtude do mau tempo, uma redução de até 80% em relação ao período em que o ILS não estava em operação. Ele lembrou que já teve registro de 30 voos cancelados e agora comemora a melhora para o turismo e negócios na cidade.

ETERNO GARGALO


Ao liberar o financiamento de R$ 26,2 milhões para a Prefeitura de Londrina fazer as desapropriações, o governador Beto Richa (PSDB) reconheceu que a falta de um sistema com instrumentos mais avançados é um gargalo a ser superado. "Há muitos anos isso tem sido um fator limitador para o desenvolvimento da economia da região. Agora estamos dando um novo passo para melhorar a infraestrutura do aeroporto regional e dar mais segurança aos passageiros," disse Richa.
De acordo com Kireeff, a ampliação do aeroporto deve começar em 2016. Além do ILS, o projeto inclui a ampliação da pista, aumento da faixa de segurança nas laterais, a instalação de outros equipamentos de auxílio à navegação aérea, e a ampliação da área de estacionamento. A Infraero informou que aguarda o término das desapropriações para definir um cronograma das obras. (Colaborou Viviani Costa)

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