Aeroporto de Foz é porta de saída de cocaína para Europa
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quinta-feira, 01 de outubro de 2009
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
Londrina- Quadrilhas internacionais de traficantes de cocaína transformaram o Aeroporto de Foz do Iguaçu numa das principais bases na América Latina para fazerem suas encomendas chegarem até países da Europa. Somente neste ano, a Polícia Federal já realizou 25 apreensões, contra 15 em todo o ano passado, e o que mais chama a atenção é o uso de ''engolidores'': pessoas contratadas para cruzar o Atlântico com grandes quantidades de droga no estômago.
Segundo acompanhamento feito pela delegacia da PF em Foz, até ontem 11 pessoas foram presas transportando dezenas de cápsulas de cocaína no estômago e acabaram autuadas por tráfico internacional de drogas. Em julho, uma paraguaia de 28 anos morreu de overdose após o rompimento de uma cápsula. O último flagrante foi realizado ontem à tarde. Um paraguaio de 32 anos, residente em Ciudad del Este, foi preso após confessar ter ingerido 84 cápsulas. Ele tinha Madri, na Espanha, como destino final.
A quantidade de droga ingerida impressiona. Muitos dos presos haviam engolido mais de um quilo de cocaína pura. Algumas cápsulas chegam a conter até 17 gramas da droga. Mesmo desafiando a morte, as pessoas cooptadas pelas quadrilhas aceitam a tarefa pela qual recebem em torno de R$ 2 mil. Para evitar a identificação dos líderes destas organizações criminosas, os contratados recebem apenas orientações básicas de como devem proceder ao chegarem na Europa.
O delegado-chefe da PF em Foz, José Alberto Iegas, confirmou que o aeroporto paranaense ''é uma nova rota utilizada pelos traficantes''. Ele explicou que com o aumento da repressão policial em Guarulhos, as quadrilhas mudaram a estratégia e passaram a buscar rotas alternativas para embarcar seus carregamentos que têm como destino final cidades européias, principalmente da Espanha pela facilidade da língua e por haver grande circulação de latinos. O ''engolidor'' faz o ''check-in'' internacional em Foz e evita a fiscalização no aeroporto paulista.
Iegas, no entanto, credita o aumento no número de apreensões não só à maior atuação das quadrilhas mas também ao aperto na fiscalização da Polícia Federal em Foz. ''Já aumentamos nosso efetivo no aeroporto'', garantiu o delegado. Além disso, ele comentou que o desafio da PF agora é identificar e prender os líderes destas quadrilhas de traficantes.


