Aeronáutica investiga acidente em GO
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Sulivam Silvestre, foi enterrado ontem, às 15h40, no Cemitério das Palmeiras, em Goiânia. Ele morreu anteontem, na queda do avião Seneca, prefixo PT-EQZ, perto do Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia. As outras vítimas fatais do acidente foram Adão Fernandes Sobrinho e Luciano Ribeiro Neves, e o piloto Agmar Domingos Rosa.
Índios caiapó, terena e xavantes dançaram ontem durante o enterro e lamentaram a morte de uma pessoa de confiança e muito séria, segundo o xavante Jeremias. Estiveram no local o ministro da Justiça, Renan Calheiros, os senadores Íris Rezende, Maguito Vilela e Mauro Miranda, todos do PMDB, e o vice-governador de Goiás, Alcides Rodrigues Júnior.
O Ministério da Aeronáutica informou ontem que as investigações sobre o acidente devem demorar pelo menos 90 dias. O ministro da Justiça, disse que vai acompanhar as investigações sobre o acidente. Não quero prejulgar, mas quero saber de tudo, disse Calheiros ao ser perguntado se o acidente era comum ou poderia estar ligado aos conflitos da Funai.
O avião bateu em árvores, derrubou postes, destruiu um carro e caiu sobre a casa de Luizmar de Paula, no bairro Goiânia II, a quatro quilômetros do aeroporto. Ninguém na casa ficou ferido. O avião pegou fogo e seus quatro ocupantes morreram carbonizados. De acordo com moradores do bairro, o Seneca caiu como uma bola de fogo. Josué de Bezerra, de Anápolis, a 50 quilômetros de Goiânia, disse que por volta das 21 horas o aparelho voava baixo e apresentava problemas. A torre do aeroporto local garante que nenhum contato ou pedido de pouso de emergência foi feito.
O PopularBola de fogoInvestigações sobre o acidente devem demorar 90 dias. Em caso de indícios de sabotagem a PF entra no casoSulivan Silvestre fretou o avião da Uta-Base Táxi-Aéreo em Brasília depois de perder um vôo comercial para Goiânia. Na hora do acidente o avião Sêneca em que ele viajava estava nos procedimentos finais de pouso. Conforme avaliação de alguns pilotos, faltariam apenas dez segundos para alcançar a pista.Todas as características do acidente levam a crer que houve parada total dos dois motores.
O Ministério da Aeronáutica, por meio do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-6), abriu as investigações para apurar as causas do acidente. A polícia Civil de Goiás deve abrir inquérito, enquanto a Polícia Federal vai esperar pelo relatório final do Centro de Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) para fazer o mesmo. Caso haja indícios de sabotagem, a PF entrará no caso, já que Silvestre era funcionário público federal.
Segundo o proprietário da Uta-Base, Bruno Finotti, a aeronave tinha motores novos. Ele afirmou que não poderia imaginar o que aconteceu na noite de segunda-feira, pois o piloto Agmar Domingos Rosa tinha 23 anos de experiência.
O diretor do Centro-Oeste do Sindicato Nacional dos Aeronáutas, Mozart Barroso, disse que a empresa estava com pendência judicial por causas trabalhistas, mas desconhecia qualquer irregularidade nos dois únicos aviões da Uta-Base.
A morte de Sulivan Silvestre chocou autoridades do Estado de Goiás. O governador Marconi Perillo, que comemorava no palácio a vitória de Sebastião Tejota para a presidência da Assembléia, cancelou a festa e foi ao local do acidente atrás de mais informações. O secretário de Segurança Pública, Demóstenes Xavier Torres, lamentou a morte de seu ex-assessor nos tempos de Ministério Público.
Sulivan Silvestre começou sua carreira como promotor público em Goiás, em 1984. Dez anos depois, tornou-se procurador de justiça e era assessor do então procurador-geral Demóstenes Xavier Torres. Ele ganhou destaque por sua atuação na defesa de causas ligadas ao meio ambiente.


