São Paulo - A Aeronáutica expulsou sete controladores de voo pela participação em um motim, em 2007, durante o "caos aéreo", quando a categoria promoveu uma operação padrão que resultou em atrasos, cancelamentos de voos e imensas filas nos aeroportos.
A decisão sobre a expulsão foi publicada no "Diário Oficial' da União no último dia 19 de setembro. Esta quinta-feira (29) marcou os dez anos do acidente do Boeing 737 da Gol que matou de 154 pessoas e deu início a um dos períodos mais conturbados da aviação brasileira.
Os controladores de voo de Curitiba haviam sido condenados em 2010 por terem se recusado a trabalhar no dia 30 de março de 2007, quando cruzaram os braços para sinalizar falhas do sistema aéreo nacional e exaustivas jornadas de trabalho. A expulsão da Aeronáutica era uma pena acessória na condenação. O caso foi classificado como motim pela Aeronáutica, e a acusação foi aceita pela Justiça Militar e pelo STF.
Entre os condenados de Curitiba, está Dinarte Bichels que, segundo sua defesa, estava prestes a se aposentar e entrar para a reserva. Há um mês, Bichels ainda trabalhava como controlador de voo em Curitiba, sob a patente de primeiro-sargento. Ele estava havia cerca de 30 anos na Força Aérea.
Para Gustavo Bitencourt, advogado de Bichels, durante a manifestação dos controladores havia a promessa do governo federal de que a categoria não seria punida. A promessa, segundo ele, não foi cumprida. "Não houve violência, não houve insubordinação. Houve um movimento por melhorias do sistema aéreo", conta. "Os controladores estavam sem condições de trabalho", conta.
O advogado disse ainda que seu cliente não teve nenhuma participação no movimento e esteve durante 15 minutos no centro de controle aéreo de Curitiba para acompanhar o comandante local. A Aeronáutica diz que o afastamento dos controladores se justifica, uma vez que foram condenados por motim, um crime militar.

HISTÓRICO
Desde o acidente da Gol em setembro de 2006, os controladores passaram a ter seus procedimentos investigados. Em resposta, parte da categoria denunciou que trabalhava com softwares e aparelhos defasados. Outra reclamação era a de que a carga horária era exaustiva e não compatível com a responsabilidade com o cargo.
Os controladores adotaram, então, a operação padrão, o que causou atrasos, cancelamentos de voos e o aumento dos custos das companhias aéreas. Imensas filas nos aeroportos se formavam quase que diariamente. A crise se agravou até que, no dia 30 de março, os controladores divulgaram um manifesto criticando a infraestrutura do sistema de controle aéreo e a rigidez da hierarquia militar.

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