Brasília, 19 (AE) - O depoimento do tenente-coronel reformado da Aeronáutica Washington Vieira da Silva hoje à CPI do Narcotráfico, na Câmara, deixou claro para os parlamentares que a ligação entre integrantes da Aeronáutica e traficantes de drogas existe há pelo menos dez anos. A avaliação é do relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE).
"Restou a certeza de que os integrantes da Aeronáutica conhecem há bastante tempo os membros da quadrilha", declarou Torgan, por volta das 21h30, após o depoimento de Washington. Ele está preso desde a semana passada, quando se entregou à polícia, sob acusação de envolvimento com o transporte de 32 quilos de cocaína apreendidos num avião da Força Aérea Brasileira (FAB), este ano, no Recife.
Segundo Torgan, o depoimento "deu a impressão de que Washington comandava (a operação ligada ao tráfico de drogas) na Aeronáutica". O deputado disse que Washington já teve seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrados. Os deputados terão acesso a esses dados.
A CPI ouviu ontem também o depoimento do ex-major da Marinha Luiz Cesar Pereira de Oliveira, também acusado de envolvimento no caso da cocaína no avião da FAB. "Eles entraram em contradição", afirmou o deputado Robson Tuma (PFL-SP).
Tuma ficou intrigado com a declaração de Washington de que teria tido acesso ao Inquérito Policial Militar (IPM) sobre o caso, antes de se entregar à polícia. "Isso é gravíssimo: como ele pode ter visto os autos do IPM se estava foragido?", perguntou Tuma, autor de um pedido formal de esclarecimentos ao Ministério da Aeronáutica. O advogado de Washington, Marco Polo Levorin, disse que o seu cliente nega as acusações.

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