Aeronáutica confirma destruição de aviões em solo colombiano
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Tânia Monteiro e Edson Luiz 
Brasília, 17 (AE) - O Comando da Aeronáutica confirmou hoje a destruição de dois aviões supostamente de matrícula brasileira e que estavam em solo na Colômbia. A destruição do avião PT-LRL ocorreu no dia 26 de fevereiro deste ano, e o avião PT-DTR, no dia 2 de abril último, mas só na semana passada foram anunciados oficialmente. Segundo a Aeronáutica, os aviões "voavam sobre território colombiano, sem autorização, sendo identificados como tráfegos ilícitos".
Investigações paralelas estão sendo realizadas pelos serviços de inteligência dos dois países para descobrir a origem dos aviões. De acordo com o Registro Brasileiro de Aeronaves, o primeiro avião (PT-LRL) estava com seu seguro aeronáutico vencido, o certificado de aeronavegabilidade suspenso e com a inspeção anual de manutenção também vencida desde o dia 23 de abril de 1999.
Desde essa data, inclusive, segundo a Aeronáutica, não há mais qualquer registro de vôo deste avião. Já em relação ao avião PT-DTR, destruído no último dia 2, a Força Aérea Brasileira (FAB) não possui qualquer registro. A Aeronáutica ressalta que este último avião pode até não ser brasileiro e apenas estar com o prefixo do País. Nos dois casos, a Força Aérea Colombiana informou à FAB a destruição dos aparelhos. Eles foram abatidos em solo, sem que ninguém tivesse sido morto ou ferido. Os tripulantes de ambos não foram localizados.
O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, pediu esclarecimentos tanto ao Comando da Aeronáutica quanto ao Ministério das Relações Exteriores para saber os motivos exatos da destruição dos aviões. O Itamaraty apenas confirmou a informação do incidente, mas não soube dar esclarecimentos de que providências o governo brasileiro estaria tomando.
Quintão explicou hoje que o Brasil também sofre com a entrada de aviões clandestinos em nosso espaço aéreo, particularmente na Amazônia, sem que sejam, em muitos casos, sequer detectados. Segundo ele, os equipamentos que estão sendo instalados com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) vão impedir que problemas dessa ordem se repitam. "Esse tráfego que ocorre, principalmente, com tráfico de drogas mostra como é imperativo ter o Sivam funcionando", defendeu o ministro, ao comentar que o sistema só entra em operação em 2001. Quintão acentuou que nos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta) é possível verificar a existência de vários aviões voando a baixa altitude. O maior volume de tráfego ocorre entre o Brasil e o Paraguai.
Embora já possua uma legislação que permita o abate de aviões que invadam o espaço aéreo brasileiro, aprovada em março de 1998, nenhuma providência efetiva pode ser tomada porque os essa lei ainda não foi regulamentada. Pela lei, o avião que invadir o território brasileiro e não responder ao pedido de identificação será derrubado pela Força Aérea Brasileira. Falta esclarecer de quem será a ordem de atirar já que a lei diz que ela pode ser dada pelo presidente da República ou a quem ele delegar. Essa delegação de competência é um dos motivos do atraso da regulamentação dessa lei.
Suriname - Os dois aviões abatidos, se forem brasileiros, pertenceriam à conexão Suriname, que atualmente vem sendo investigada pela Polícia Federal e CPI do Narcotráfico. Até o final da tarde, a Embaixada do Brasil em Bogotá não tinha sido comunicada oficialmente sobre o ocorrido. Soube pela televisão, que veiculou a notícia.
Em quatro anos, 20 aviões de prefixo brasileiro foram abatidos. Segundo fontes da PF, a localidade onde os aviões foram abatidos - a floresta de Guiana - na fronteira com a Venezuela, coincide com a rota feita pelo tráfico que traz armas do Suriname e troca por drogas com a guerrilha colombiana. Os vôos utilizam o Brasil como entreposto, mas no último ano foram presos vários brasileiros envolvidos neste esquema.
Os vôos saem normalmente da Amazônia. Seguem para o Suriname onde carregam com armas e depois seguem, durante sete horas, para as localidades de Barracominas, Barraca Vermelha, Mitú, Miraflores e Guiana, onde existem laboratórios de refino de droga e onde a guerrilha tem domínio. No ano passado, dois pilotos brasileiros morreram nesta área, depois que seus aviões foram abatidos.


