São Paulo - A Aeronáutica confirmou que 21 pessoas estão desaparecidas por causa da explosão do terceiro protótipo do Veículo Lançador de Satélite (VLS-1) na plataforma do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Segundo o Instituto Médico Legal (IML) de São Luiz, dois corpos foram levados para o local. Peritos disseram que a identificação deverá ser feita pela arcada dentária das vítimas.
As operações de resgate foram reiniciadas ontem de manhã. O coordenador de comunicação da operação VLS, major Gustavo Kruger, disse que a maioria das vítimas era de São José dos Campos (SP). A Aeronáutica informou que estava realizando a identificação dos desaparecidos. Os nomes das vítimas poderiam ser divulgados ainda ontem.
Em São José dos Campos (SP), parentes de vítimas da explosão acusavam a Aeronáutica de não prestar informações sobre o caso e de ter havido pressão de autoridades para que o projeto fosse encaminhado com mais rapidez. A família do técnico em mecânica de aviação, Daniel Faria Gonçalves de 20 anos, esteve na manhã de ontem no Centro Técnico Aeroespacial (CTA) em São José dos Campos reclamando a falta de notícias sobre as vítimas. ''O acidente aconteceu à 1h30 de ontem (sexta-feira) e só foram nos procurar às 20h30'', afirmou a estudante Sabrina Gonçalves de 24 anos, irmã de Daniel. A última conversa da família com o técnico que trabalha há um ano no CTA foi no domingo.
Segundo Sabrina, ele estava confiante de que tudo iria dar certo. A irmã disse que Daniel havia sentido pressão de superiores para que o projeto fosse concretizado rapidamente antes que um alto graduado que ela não soube identificar, se aposentasse.
De acordo com o major Kruger, havia 230 pessoas diretamente envolvidas na operação VLS. Mas, na tarde de sexta-feira, no momento da explosão, parte da equipe estava de folga na base. Segundo o major, apenas funcionários da manutenção estavam trabalhando e com uma equipe reduzida, por causa da periculosidade do serviço.
O ministro da Defesa, José Viegas, disse que uma falha no processo de ignição do VLS-1 V03 teria causado o acidente. Com a explosão, a plataforma de lançamento ruiu. Viegas seguiu ontem para a base para acompanhar os trabalhos de resgate. O foguete era preparado para um lançamento que ocorreria na segunda-feira.
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luiz Beviláqcua, foi surpreendido pela notícia. Quando questionado sobre a explosão durante entrevista coletiva, em Brasília, para falar sobre o acordo espacial Brasil-Ucrânia, desdenhou a informação. ''Só se for a explosão de fogos de artifício'', disse. Momentos depois, a informação da explosão foi confirmada por sua assessoria.
Os ucranianos estavam no Brasil para acertar detalhes da parceria no uso da base com foguetes Ctclone-4. Segundo a Aeronáutica, o acidente não causará risco para a população do município de Alcântara, que tem 21.291 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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