São Paulo, 10 (AE) A Federação Nacional dos Aeronautas e Aeroviários entregou hoje para a área técnica do Departamento de Aviação Civil (DAC) um dossiê contendo denúncias sobre irregularidades na Vasp. Foi mais um passo dado pela representante dos trabalhadores para preparar o terreno para o pedido de intervenção do governo na companhia aérea, que deverá acontecer até sexta-feira.
"Estamos alertando todas as autoridades sobre os problemas na empresa e vamos acionar o Ministério Público para fazer cumprir a lei", disse Pedro Azambuja, presidente da federação.
O pedido de intervenção será feito com base no artigo 188 do Código de Aeronáutica, o qual declara que o Poder Executivo poderá intervir nas concessionárias com problemas operacionais, econômicos ou financeiros.
Além disso, estão sendo organizadas, para sexta-feira, manifestações nos aeroportos de São Paulo e do Rio de Janeiro, com o objetivo de alertar o usuário do transporte aéreo sobre o que está acontecendo na Vasp. O Sindicato dos Aeronautas - pessoal que trabalha em vôos - alega que a situação emocional dos pilotos conta muito na questão de segurança, e que esse quesito está prejudicado em função do atraso no pagamento de salários e das incertezas sobre o futuro da companhia.
Na sexta-feira, ficou acertado que seriam pagos os trabalhadores que recebem até R$ 900 e, o restante, receberia no dia 14. O acordo não foi cumprido e todos ficaram sem salários. O vice-presidente da companhia, César Canhedo, disse hoje que o pagamento só não foi feito porque a empresa não obteve uma linha de crédito em função das notícias negativas que estão sendo divulgadas pela imprensa.
"Ele prometeu pagar a todos na sexta-feira", contou Uébio José da Silva, presidente do Sindicato dos Aeroviários. Os trabalhadores, que já chegaram a pensar em fazer greve, estão em meio a um dilema. "De que vai resultar uma greve, se a empresa não vai pagar e sua situação financeira vai piorar ainda mais", questiona Silva.
Segundo o sindicalista, Canhedo garantiu que os salários serão pagos com o dinheiro que será recebidos das agências de viagens esta semana. Amanhã será realizada uma nova reunião para tratar dos benefícios dos trabalhadores, como plano de saúde e vales- transporte, que também estão atrasados. "Ele disse que não é a primeira e nem será a última crise financeira da Vasp, e que tudo estará resolvido em seis meses."
Tensão - Para o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Mauro Gandra, "cada sexta-feira vai ser uma tensão". É que, independente do que ocorra, a empresa precisa pagar as taxas de utilização de aeroportos à Infraero, no valor de R$ 1,3 milhão, sob pena de não poder voar.
A elas, somam-se outras despesas. Na semana passada, eram valores referentes a dívidas atrasadas com a própria Infraero. Na imediatamente anterior, foi pago parte do leasing de três Boeings que estava atrasado, e o valor não foi suficiente para impedir que eles fossem arrestados pela Justiça. Na próxima sexta, a empresa comprometeu-se a pagar cerca de R$ 6 milhões aos funcionários.
Gandra disse que a empresa não está perdendo passageiros. Em março, ela reduziu sua oferta de vôos em 12% e sua demanda caiu 9,6%. De janeiro a março, a ocupação dos aviões aumentou de 50%, em igual período de 1999, para 55%. No trimestre, a oferta de vôos foi reduzida em 3%.

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