A idéia da Federação Nacional de Aeroviários e Aeronautas, de fazer uma lista com os nomes dos passageiros indesejáveis para as companhias aéreas - da qual constaria nomes como o do ator André Gonçalves que, na última segunda-feira, agrediu comissários de um avião da Varig - esbarra na Justiça. Com a lista, o embarque dos passageiros de comportamento irregular seria impedido. Ontem - Dia Mundial Contra Passageiros Indesejáveis -, aeroviários e aeronautas fizeram panfletagem no Aeroporto Santos Dumont pela aprovação da medida.
De acordo com o presidente do Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio, Lauro Shuch, a medida fere o direito de ir e vir garantido a todos os cidadãos pela lei brasileira. ‘‘Fazer uma lista vai contra o Código de Proteção e Defesa do Consumidor, que não permite discriminação deste tipo’’, afirmou o advogado.
Durante manifestação no Santos Dumont - com dois atores interpretando passageiros inconvenientes -, o presidente da Federação Nacional de Aeronautas e Aeroviários, Pedro Azambuja, defendeu que haja uma legislação específica para coibir excessos nos vôos. ‘‘Os casos de agressão a bordo têm crescido muito. A questão da segurança de vôo torna o problema ainda mais grave.’’
O advogado criticou o fato de André Gonçalves não ter recebido qualquer punição. ‘‘Um passageiro que perturba a ordem deve ser preso no primeiro aeroporto em que o avião parar’’, disse. Depois de agredir comissários do vôo 8864 da Varig, que ia de São Paulo para Nova York, o ator, de 25 anos, foi amarrado por passageiros do avião e entregue à Polícia Federal de Belém.
O ator, que teve de ser amarrado e sedado, chegou a ser internado no setor psiquiátrico do Hospital das Clínicas de Belém, mas seguiu para seu destino no dia seguinte.

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