A maioria dos municípios paranaenses já está infectada com focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, pelo menos em 260 dos 399 municípios do Estado existem focos do mosquito. O órgão não descarta a possibilidade desse número ser maior, mas informou que a existência das larvas do mosquito não implica em casos da doença nos municípios. No entanto, dados da própria Secretaria revelam um aumento de 498,5% da incidência da dengue no ano passado em relação a 1999. Somente este ano, já foram confirmados 140 casos em todo o Estado.
Em 1999, foram registrados 305 casos da doença. No ano passado foram 1.825 casos. A maior parte foi registrada nas regiões Noroeste, Norte e Nordeste do Paraná. Este ano, a maioria dos casos da dengue (57) foi detectada em Santa Fé, no Noroeste do Estado. As outras cidades em que foram notificados a doença este ano foram Floresta, Londrina, Ângulo, Maringá, Paiçandu, Bandeirantes e Foz do Iguaçu.
O chefe da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores da Secretaria da Saúde, João Medina, diz que ‘‘não há explicação’’ para a disseminação dos mosquitos, mas arrisca dizer que a falta de consciência da população contribui para que os focos do Aedes aegypti não sejam erradicados. Segundo ele, mesmo as fêmeas do mosquito chegam a viver 45 dias e colocar 400 ovos nesse período. As larvas encontram em águas paradas, depositadas em objetos jogados no lixo, ambiente ideal para se desenvolverem. Medina admite que a situação é preocupante.
O secretário de Saúde do Paraná Armando Raggio não pode atender à Folha ontem para falar do assunto, alegando estar em reunião. Mas informou, através de assessoria que a Secretaria está tomando as providências necessárias para o combate à doença.
A dengue é uma infecção viral e é considerada uma doença reemergente, já que foi erradicada do Brasil durante 60 anos (1922 - 1982). Em 1992, a doença voltou a atingir os brasileiros, em epidemia registrada em Boa Vista (RO). Hoje, a maior parte dos estados tem casos da doença. Os sintomas são indisposição, dores nas juntas, febre alta, falta de apetite, fraqueza e manchas escuras na pele. A Secretaria da Sa© úde recomenda que, ao notar alguns desses sintomas, as pessoas procurem imediatamente uma unidade de saúde. A evolução da dengue é lenta e não há vacina.
Em Brasília, o ministro da Saúde José Serra negou no início da semana que tenha ocorrido diminuição de recursos federais para o combate à dengue. Ele também rebateu as informações sobre o aumento do número de casos da doença, que teria atingindo 20 Estados. ‘‘Os números não mostram aumento de casos em relação ao ano passado e é absolutamente equivocada a idéia de diminuição da verba’’, disse Serra.
A afirmação do ministro contesta as queixas de vários prefeitos, entre eles da prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT), que vinculam a diminuição de verba ministerial ao crescimento dos casos de dengue. (Com Agência Estado)

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