Brasília, 22 (AE) - O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), disse hoje que o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, deve ter se expressado "mal" sobre a "paralisia" dos trabalhos do Congresso. "Conversei com o presidente (Fernando Henrique Cardoso) hoje e ele se considerou vítima de uma incompreensão e se mostrou até indignado com as reações de declarações que jamais deu", afirmou Neves.
"Talvez tenha haviao uma palavra mal-colocada", acrescentou. As declarações do líder tucano foram em resposta à indignação de aliados, que atacaram o presidente e Veiga.
Segundo o parlamentar, o presidente deve reunir-se com os líderes do governo somente na próxima semana para tentar aliviar o clima de tensão no governo.
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio de Oliveira (PE), considerou que Fernando Henrique foi infeliz ao fazer as críticas e reforçou o descontentamento com a postura do ministro. "Será que querem criar a décima nona crise no governo e entre os Poderes?", questionou, referindo-se aos recentes conflitos envolvendo os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso. "O presidente não foi feliz nessa declaração porque ele deve entender que o Congresso Nacional vem trabalhando bem." "Nestes últimos seis meses, tem havido crises frequentes e não seria de bom tom criar uma nova crise entre o Legislativo e o Executivo."
"Só falta essa agora." Para ele, o momento é de muita "tensão" e é necessário um "relaxamento". O pefelista justificou a paralisia dos trabalhos do Congresso, alegando que os assuntos em pauta, entre os quais a reforma do Judiciário, são "polêmicos" e demandam um entendimento. Segundo Oliveira, a atitude de Veiga, que saiu ontem (21) do encontro com Fernando Henrique revelando as críticas ao Congresso, demonstram uma falta de habilidade política. "Eu fui daqueles defensores do trabalho desenvolvido pelo ministro Pimenta da Veiga, mas, hoje, sou um de seus maiores críticos em razão dessa conduta." O pefelista disse que até hoje à tarde não havia sido informado sobre o encontro com os líderes nos próximos dias. "Conversei há oito dias com o presidente e ele marcou uma conversa para agosto a fim de preparar o encontro para discutir as reformas tributária e fiscal e a Lei da Responsabilidade Fiscal." O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), reagiu também contra as afirmações atribuídas ao presidente, dizendo que "nunca, em toda a história do Brasil, o Legislativo tenha sido tão produtivo". Barbalho, no entanto, não quis criar polêmica com Veiga. "Emitir opinião é um direito de qualquer pessoa numa democracia."
Para o senador José Roberto Arruda (PSDB), muitos líderes estão criando uma crise que não existe. "A gente não pode criar chifre em cabeça de cavalo." "Se todo mundo olhar do ponto de vista da concordância necessária para a aliança, não haverá crise", disse Arruda.
Para o líder do PT na Cãmara, José Genoíno (SP), o governo está querendo desviar a atenção para o Congresso porque não tem rumo. "Nós do PT estamos numa posição confortável porque queremos adiar o recesso para dar andamento aos trabalhos."

mockup