AEB quer taxação de estrangeiros que cobram frete mais caro
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 26 (AE) - O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Marcus Vinícius Pratini de Moraes, defendeu hoje a necessidade de o governo taxar os armadores estrangeiros que criaram uma sobretaxa no frete das mercadorias brasileiras exportadas. Segundo ele, os exportadores passaram a pagar entre US$ 400 e US$ 700 por contêiner transportado.
Para Pratini, esta é uma solução imediata, mas ele sugere que o governo estimule a indústria naval nacional, para que haja redução nos gastos com fretes em dólar. Ele ressaltou que o gasto com frete em 98 foi de US$ 6 bilhões. Pratini ressaltou ainda que eventuais saldos positivos da balança comercial podem ser consumidos pelos custos de frete.
Durante encontro promovido pela AEB, com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, o diretor geral do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Robert Higgin, afirmou que o incentivo à indústria naval brasileira ajudaria melhorar a balança, mas em relação aos custos para os exportadores não haveria mudanças.
Isso porque a sobretaxa imposta ao frete foi estabelecida por armadores brasileiros também. Ele explicou que a redução do fluxo de importações cria a necessidade de compensar o transporte de contêineres vazios com os valores cobrados nas exportações.
Higgin destacou, no entanto, que mesmo com a alta do frete, o custo atual é menor do que o cobrado nos últimos anos. Em 94, por exemplo, o percentual do valor do frete sobre o valor FOB dos produtos era de 3,61%, no caso do café, e agora é de 2 5%. Este percentual nas exportações de frango saiu de 6,5% para 4,03%.
O diretor geral do Centronave, que é integrado por 32 armadores, sendo seis nacionais, disse que não há como evitar a compensação da perda de receita a redução do fluxo de importações com a elevação do frete para as exportações. Ele lembrou que quando houve aumento de importações o frete caiu.


