Advogados vão barrar alegorias com imagens religiosas no Rio
Advogados vão barrar alegorias com imagens religiosas no Rio2/Mar, 18:38 Por Felipe Werneck Rio, 02 (AE) - A apreensão de alegorias com imagens religiosas, ontem (01), pela Polícia Civil do Rio no barracão da Unidos da Tijuca foi um aviso. Apesar de a medida ter sido criticada pelo governador Anthony Garotinho (PDT) e pelo prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), o departamento jurídico da Arquidiocese do Rio de Janeiro decidiu programar um plantão especial de advogados para impedir a entrada de imagens sacras no sambódromo durante o desfile das escolas de samba. "Estaremos de plantão em locais estratégicos para tomar eventuais medidas, porque esse ano, com toda a simbologia que envolve a comemoração dos 500 anos, é mais chamativo e o sambódromo não é local apropriado para cultivar a fé", disse o chefe do departamento, Antônio Passos. Quatro advogados vão participar da operação - é a primeira vez que ocorre uma ação desse tipo durante o carnaval. Ontem (01) a Arquidiocese conseguiu a apreensão de um painel com a imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança e uma cruz que seriam usados pela Unidos da Tijuca em um carro alegórico.O carnavalesco da escola, Chico Spinoza, que se diz católico e poderá ser processado por crime de vilipêndio (desprezo) a culto religioso, promete reagir. O crime está previsto no artigo 208 do Código Penal - pena de um mês a um ano de detenção ou pagamento de multa. Censura - "Não houve desrespeito, mas censura", afirmou o carnavalesco, que voltou este ano para o Rio depois de passar três anos trabalhando em uma escola paulistana. "Vai ficar meio complicado mostrar o Descobrimento do Brasil sem a presença da cruz no carro (alegórico) da missa." Segundo Spinoza, a atitude da Arquidiocese é "ultrapassada". "Acho que hoje a Igreja Católica tomou outra posição, virou carismática, promove shows com música", disse. "Pensei que fosse natural fazer uma homenagem e mostrar que a missão foi feita em nome de Cristo." Nossa Senhora foi a padroeira da viagem de Pedro álvares Cabral. Conde e Garotinho consideraram a medida arbitrária, por não ter sido baseada em decisão judicial. "Trata-se de crime contra o sagrado e a apreensão da polícia está dentro da lei", diz o advogado da Arquidiocese. "Não somos contra o carnaval, mas não podemos admitir a entrada de uma imagem santa em uma festa absolutamente profana, de luxúria, e até um pouco pornográfica."





