Brasília, 26 (AE) - Os advogados do ex-deputado Hildebrando Pascoal decidiram ingressar com um pedido de habeas-corpus para tentar libertá-lo, caso a Justiça Federal prorrogue a prisão temporária decretada há cerca de uma semana. Hildebrando está preso no Batalhão de Operações Especiais (BOPE)
em Brasília, desde a madrugada de quinta-feira, depois que a Justiça determinou a prisão por 30 dias, que pode ser extendida por mais 30 dias.
"Ele vai ficar preso durante um mês para mostrar que respeitamos a Justiça e que ele é inocente", disse Pedro Calmon
um de seus advogados. "Mas não vamos aceitar que a medida seja prorrogada."
Calmon confirmou que vai entrar com uma ação contra a União pedindo uma indenização por danos morais, alegando que o ex-parlamentar foi acusado por procuradores e parlamentares sem que houvesse provas. Ele e seu colega Eria Varela estão reunindo material para processar ainda os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara, entre os quais Moroni Torgan (PFL-CE) e Robson Tuma.
A comissão apurou denúncias de envolvimento do ex-deputado, que foi cassado pela Câmara na semana passada por falta de decoro parlamentar, com o tráfico de drogas e com dezenas de assassinatos.
Os advogados estudavam a possibilidade de entrar com um habeas-corpus para libertar o ex-deputado logo após o anúncio da prisão. Um dia depois, eles voltaram atrás da decisão para mostrar que Hildebrando é "vítima de um processo político". Para os advogados, a Justiça não conseguirá reunir provas contra Hildebrando e não terá tempo suficiente para concluir um processo judicial.
"Temos certeza de que não vão comprovar nenhuma daquelas acusações fantasiosas. Se ele matou, queremos saber da Justiça, como, quando e o porquê", afirmou Calmon. O pedido de prisão cautelar, concedido pela Justiça Federal do Acre, foi "arbitrário e ilegal", segundo sua avaliação. "Prender um suspeito não tem fundamento jurídico".
Transferência - Os 26 acusados de ligação com o grupo comandado pelo ex-parlamentar, presos na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, devem ser transferidos hoje para outras divisões da polícia.
Eles chegaram a Brasília na madrugada de sábado em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Eles são acusados de narcotráfico e de integrar um grupo de extermínio. O 27º envolvido, Raimundo Nonato Nunes Braga, que já foi preso, deve desembarcar na cidade na próxima terça-feira.
Entre os presos, estão o dentista Pedro Pascoal Pinheiro Neto, irmão do ex-deputado Hildebrando, e Alexandre Alves da Silva, irmão de José Aleksandro da Silva (PFL), que assumiu a vaga do parlamentar cassado.

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