Advogados não recomendam ação
Silvio Viola, de 50 anos e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), explicou a alguns moradores que uma ação de indenização na Justiça poderia demorar de 5 a 10 anos. Eles foram claros ao nos dizer que teremos de volta o que perdemos em pouco tempo, contou Juraci de Menezes, dona de um apartamento no Palace II. A serventuária da Justiça, Maria de Lourdes Rocha da Silva, foi a primeira a chegar ao escritório. Ela recebeu um formulário e à tarde voltou ao local para entregá-lo, preenchido. Comprei um castelo de areia e agora só quero um teto para mim e para meu filho, disse.
Não estou interessada em danos morais, já que sofremos esses danos todos os dias, continuou Maria de Lourdes, que havia pago R$ 64 mil do valor total de R$ 104 mil do seu apartamento. A advogada Rauliete Barbosa, presidente da comissão criada por cerca de 110 moradores do Palace II, esteve pela manhã no escritório de Viola e Monteiro de Barros, acompanhada de outros oito moradores. Eles esperam uma solução rápida e demonstraram otimismo.
Rauliete manifestou aos dois advogados a preocupação dos moradores do Palace II que estão hospedados nos hotéis Atlântico Sul e Savoy, custeados pela Sersan. O prazo da hospedagem no Atlântico é até o dia 13 e no Savoy até o dia 30, disse. Como devemos aguardar até seis meses para receber a indenização queremos que esse prazo seja prorrogado. Outros moradores estiveram no escritório por conta própria e estão agindo sem a ajuda da comissão. Margarida Fontes, que perdeu o marido, o defensor público Gil Maneschy, no primeiro desabamento, chegou cedo e, emocionada, não quis dar entrevistas. Ela preencheu ontem mesmo o formulário.
Oswaldo Benavides, pai do estudante Leonel Benavides, outra vítima, preferiu se integrar à comissão. Acho que o momento é de união, disse. Até o fim da tarde, 26 formulários haviam sido entregues a moradores do Palace II.(AE)





