Londres, 29 (AE-AP) - Numa tentativa de neutralizar as denúncias de tortura apresentadas à Grã-Bretanha contra o general Augusto Pinochet pela Justiça espanhola para justificar sua extradição, os advogados do ex-ditador chileno recorreram hoje (29), no tribunal britânico que julga o pedido espanhol, ao conflito na Irlanda do Norte.
Argumentaram que métodos de tortura semelhantes aos atribuídos à polícia de Pinochet foram adotados pelas autoridades britânicas na luta contra o terrorismo norte-irlandês. "Submetidos à apreciação de tribunais europeus, os casos ocorridos no Ulster não foram considerados tortura", disse Clive Nicholls, chefe da equipe de advogados do ex-ditador chileno, encerrando a exposição da defesa.
O argumento de Nicholls foi classificado de "absurdo" pelo promotor Alun Jones, que representa o juiz espanhol Baltasar Garzón no tribunal. "Considerando os detalhes das denúncias contra Pinochet, fazer uma comparação dessas é uma ofensa", retrucou Jones.
A Justiça britânica decidiu que Pinochet só pode ser julgado por delitos cometidos a partir de 1988, quando Londres aderiu à Convenção Internacional sobre Tortura. Assim, das 34 denúncias de tortura lidas no tribunal, apenas uma enquadra-se nas exigências britânicas. É o caso de Marcos Quezada Yánez, um jovem de 17 anos que morreu em consequência de torturas.
Citando como exemplo um dos casos arrolados no processo por Garzón, Nicholls destacou que não "se pode falar de tortura quando uma pessoa morre em consequência apenas de uma descarga elétrica". Jones retrucou: "Afirmar que isso não é uma ação de tortura é simplesmente absurdo."
Em Santiago, o governo chileno informou oficialmente ao governo espanhol que iniciou processo contra a Espanha no Tribunal Internacional de Justiça (Haia) por sua decisão de processar Pinochet. Para Santiago, Madri não tem competência para julgar o general chileno.

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