Advogados dizem que CPI não encontrará nada nas contas de Badan
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva e Gilse Guedes 
Brasília, 26 (AE) - Os advogados do legista Fortunato Badan Palhares disseram hoje que a CPI do Narcotráfico "não vai encontrar nada" com a quebra do sigilo bancário de seu cliente. "Não existe ligação entre ele e o crime organizado", sustentou a advogada de Badan, Tereza Bodo, um dia depois de o legista ter prestado depoimento à CPI por suspeita de que teria fornecido laudos para beneficiar criminosos. Os advogados disseram que Badan "gostaria de ter tido mais tempo de expor com clareza" laudos importantes, como o da morte de Paulo César Farias, em 1996.
Tereza e o também advogado Nivaldo Doro concederam entrevista hoje em um hotel de Brasília, no lugar de Badan, que permaneceu no quarto porque, segundo eles, estava urinando sangue e com dores renais. "Não me lembro o que disse, estou tão sonado e dopado", teria comentado o legista, ao deixar a sessão da CPI depois de mais de 12 horas de depoimento, conforme relatou sua advogada. "Ele estava exausto."
Para os advogados, o legista saiu-se bem, apesar de os parlamentares terem considerado "frágeis" as explicações fornecidas à CPI. Badan tomou sedativos e analgésicos durante a sessão.
Para o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), Badan teria relatado erros crassos, deixando no ar a dúvida se as falhas ocorreram intencionalmente ou por falta de competência. Para o presidente da comissão, Magno Malta (PTB-ES)
"está reaberto o caso PC".
De acordo com Tereza, a CPI "desviou-se da finalidade e partiu para análise de laudos, o que criou confusão". Ainda de acordo com a advogada, alguns deputados consideraram que o legista estaria "enrolando" a CPI ao falar de laudos de necrópsia. "Os deputados não conseguiram entender as explicações por falta de tempo para explicar", justificou.
Os advogados ainda criticaram a atuação do deputado Robson Tuma, que perguntou a Badan se ele confirmava um depósito em uma suposta conta-poupança dele, em 1996. "Espero que ele tenha a hombridade de vir a público e dizer que quebrou o sigilo de Badan e não encontrou nada", disse Tereza.
Variação de renda - Segundo ela, Badan, além de professor universitário e legista, é funcionário do Instituto Médico Legal
tem um laboratório de análises clínicas e convênio com a Unimed. "Os rendimentos dele são baseados nisso", afirmou a advogada. De acordo com dados da CPI, Badan teria declarado em 1996 à Receita Federal rendimentos de R$ 624 mil e, no ano seguinte, sua renda teria aumentado para R$ 758 mil. A variação de rendimentos foi considerada pequena pelos parlamentares.
Os advogados de Badan dizem que ele levará os dez integrantes de sua equipe para a acareação a ser marcada pela CPI em Alagoas. Badan será colocado frente a frente com um de seus desafetos, George Sanguinetti, de Alagoas. Badan também não vê problemas em uma eventual acareação com o deputado Augusto Farias (PPB-AL), para quem, conforme as suspeitas levantadas na CPI, teria trabalhado ao fazer o laudo indicando que Suzana Marcolino teria matado PC Farias.


