Advogados de policiais civis presos questionam investigação da Corregedoria
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quarta-feira, 22 de abril de 2020
Rafael Machado - Grupo Folha 
Pela primeira vez, os advogados dos sete policiais civis de Londrina suspeitos de desviar uma carga contrabandeada do Paraguai se manifestaram oficialmente sobre a operação realizada pela Corregedoria do órgão e que levou os investigadores para a prisão. Eles foram detidos em fevereiro e há mais de dois meses estão na Delegacia de Furtos e Roubos e Veículos de Curitiba.
Em nota enviada à imprensa, a defesa afirma que os "policiais denunciados não têm nenhum tipo de envolvimento com os últimos acontecimentos noticiados. Todas as acusações serão amplamente debatidas na ação penal, refutando-se toda ilação leviana levantada contra a conduta ilibada deles, que não possuem nenhuma mácula em seus históricos profissionais".
Segundo o documento, "inúmeras violações e ilegalidades aconteceram no curso das investigações com o intuito de prejudicar nefastamente a honra e a moral dos agentes". O documento é concluído com a informação que os defensores "estão pleiteando nos tribunais superiores a liberdade, pois não concordam com a manutenção da prisão preventiva destes. Ninguém pode ser considerado culpado, muito menos segregada a sua liberdade, sem que haja efetiva condenação com o devido trânsito em julgado".
A nota é assinada pelos advogados Salir Pinheiro da Silva Júnior, Marcelo Gaya Oliveira, Thiago Issao Nagakawa e Marcelo Camargo de Souza. Procurada, a Polícia Civil não quis se pronunciar.
Prisões
Encabeçada pelo delegado Marcelo Lemos de Oliveira, atual corregedor da Polícia Civil do Paraná, as investigações começaram em dezembro de 2019, quando o desvio teria acontecido. Os produtos foram apreendidos na Vila Nova, bairro da região central de Londrina. "Encontramos uma diferença na quantidade que foi localizada pelos investigadores da que realmente foi comunicada à Receita Federal", disse na época em entrevista coletiva.
Todos os investigadores trabalhavam no setor de Furtos e Roubos da 10ª Subdivisão Policial. Entre eles, um ocupava a superintendência e o outro a chefia da divisão. Eles já são réus por peculato, corrupção e outros crimes em acusação que tramita em sigilo na 3ª Vara Criminal de Londrina.
Na esfera cível, o Ministério Público entrou com uma ação de improbidade administrativa. O juiz Marcos José Vieira determinou o afastamento dos acusados das funções que exerciam na delegacia e o bloqueio de bens.


