Advogados de Lopes alegam falta de provas e mantêm silêncio
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Eugênio Melloni 
Rio, 28 (AE) - Os advogados de defesa do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes continuarão a sustentar a estratégia de silêncio nos inquéritos que apuram o socorro financeiro do BC aos Bancos Marka e FonteCindam. Para os advogados, as investigações realizadas até o momento pelo Ministério Público e pela Polícia Federal não produziram provas conclusivas que implicassem Lopes nos indícios irregularidades envolvendo o socorro aos bancos ou nas suspeitas de vazamento de informações privilegiadas ao mercado financeiro.
"Lopes não vai falar e não tem por que falar, porque não é ele que tem de provar a sua inocência", disse o assessor. "A CPI é que tem de provar que ele é culpado", disse um assessor do advogado Luiz Guilherme Vieira, contratado pelo ex-presidente do BC. "Afinal de contas, onde está o dinheiro de Lopes e que contas são estas", questiona o assessor, referindo-se ao bilhete em que Sérgio Bragança, ex-sócio de Lopes na empresa de consultoria Macrométrica, dizia manter US$ 1,675 milhão pertencentes ao ex-presidente do BC em suas contas no exterior.
O bilhete foi encontrado na busca realizada pelo Ministério Público e pela PF no apartamento de Lopes.
A equipe de Luiz Guilherme Vieira recebeu com desconfiança a intenção do Ministério Público de convocar Lopes para depôr como testemunha, assegurando-lhe o direito de evitar autoincriminar-se no depoimento. "É curioso que o Ministério Público faça essa sugestão, depois de ter vazado informações que provocaram um pré-julgamento de Lopes", disse o assessor. Ele acrescentou que, se houver um contato formal, Vieira deverá examinar o assunto. De acordo com o assessor, Lopes não recebeu, até o momento, nenhuma intimação para depôr à PF.
De acordo com o assessor, Francisco Lopes está mais tranquilo, após as manifestações de juristas e advogados contra a sua prisão, ocorrida na última segunda-feira, por ter se recusado a assinar o termo de responsabilidade no depoimento à CPI dos Bancos. Por causa do episódio, Luiz Guilherme Vieira também está evitando falar com os jornalistas. O advogado declarou, por intermédio de sua assessoria, que sua expulsão, pelos seguranças do Senado, da sala em que Lopes deveria prestar depoimento "não foi um ato de violência contra ele, mas sim contra a prerrogativa de um advogado de estar ao lado de seu cliente".


