Ilha de Imrali, Turquia, 03 (AE-AP) - No quarto dia de julgamento na prisão insular turca de Imrali, os advogados que representam algumas famílias das cerca de 37.000 pessoas mortas durante os 15 anos de rebelião curda da Turquia pediram hoje (03) para que a corte condene Abdullah Ocalan à pena de morte. Ao mesmo tempo, o líder rebelde conclamou a Turquia a aceitar sua proposta de paz, que prevê o fim da insurreição.
Ocalan havia solicitado ao tribunal para que poupasse a sua vida, para que assim pudesse trabalhar pelo fim da luta entre o exército curdo e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), do qual ele é líder.
"Não estou dizendo isso para me salvar", disse mais uma vez Ocalan. "Eu quero prevenir a morte de soldados, de membros de PKK". Ocalan também convidou seu grupo rebelde a realizar uma "conferência" de paz com o governo turco.
A Turquia nega qualquer concessão aos curdos, que habitam principalmente o sudeste do país, vendo isto como uma ameaça que dividiria a nação.
Ocalan começou a luta pela autonomia em 1984. A maioria dos cerca de 37.000 mortos é formada por curdos.
Os familiares de mais de 2.500 vítimas turcas estão representados no tribunal. Eles são representados por grupos de advogados que se revezam a cada sessão.
Os advogados de Ocalan boicotaram hoje o julgamento, reclamando que a Turquia não estava fazendo o bastante para "protegê-los de um público enfurecido por sua tentativa de salvar o líder rebelde".
Ontem, multidões cercaram os advogados de Ocalan e parentes em um hotel, empurrando-os e zombando deles.
Eles concordaram em assistir a sessão de amanhã depois que autoridades concordaram em transferí-los para outras acomodações.

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