São Paulo, 06 (AE) - Os defensores do vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) conseguiram adiar seu indiciamento por concussão e formação de quadrilha. Ele é acusado de comandar esquema de corrupção na Administração Regional de Pinheiros que arrecadava até R$ 120 mil por mês. O advogado Ronaldo Mazagão entrou com pedido de habeas corpus preventivo, alegando constrangimento ilegal, e obteve liminar suspendendo o indiciamento.
Segundo a reportagem apurou, a divulgação antecipada de medidas deu chances à defesa. O Ministério Público anunciara terça-feira que Faria Lima seria indiciado após o depoimento de hoje na Polícia Civil. "Com a liminar, Faria Lima ganha, pelo menos, pontos morais", admitiu o promotor Marcelo Mendroni, responsável pelo inquérito. Entre as suspeitas levantadas contra o vereador está o recebimento de dinheiro recolhido de comerciantes por fiscais, que seria usado na campanha do pai, José Roberto Faria Lima, a deputado estadual. "Ato formal" - Para membros da Polícia Civil e do MP, só foi perdida uma batalha. "Posso oferecer a denúncia à Justiça sem que o réu seja indiciado; é apenas um ato formal", explicou Mendroni. Apesar de o indiciamento se tornar automático quando há denúncia, é improvável que Faria Lima seja incriminado no inquérito. Fontes da polícia informaram que houve precipitação e é mais provável que ele seja indiciado em alguns dos outros 30 inquéritos relativos à regional, que estão mais completos. Mesmo assim, a denúncia deve ser oferecida por Mendroni amanhã ou sexta-feira. Nota - "As acusações contra mim não têm a menor consistência", disse Faria Lima, em nota oficial. A liminar suspendendo o indiciamento diz respeito a um inquérito que investiga irregularidades na Supervisão de Uso e Ocupação de Solo da regional. No depoimento, de três horas e meia, Faria Lima negou as acusações. Ele chegou ao Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird) às 8h45.
A regional foi o ponto de partida das investigações sobre a máfia dos fiscais, com a prisão em flagrante de Mário Zeppini, em 2 de dezembro. Até agora, foram indiciados os vereadores Vicente Viscome (cassado), José Izar (PST), Maeli Vergniano (cassada), Maria Helena (PL) e o ex-deputado estadual Hanna Garib (cassado).

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