São Paulo, 21 (AE) - Os advogados de Gilmar Mauro, coordenador estadual do Movimento dos Sem-Terra (MST) em São Paulo, vão entrar na semana que vem com ações judiciais e administrativas contra a juíza Daniela Bortoliero e a delegada Nuris Pegoretti por abuso de autoridade no caso da prisão do líder, na quinta-feira, em Porto Feliz. O advogado de Mauro, Luiz Eduardo Greenhalgh, alega que a juíza tentou burlar a liminar do ministro Edson Vidigal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mudando o pedido de prisão temporária para o de prisão preventiva.
Segundo Greenhalgh, também houve dolo da juíza quando ela solicitou à delegada que fosse feito um pedido de prisão temporária de Mauro, informação que consta do inquérito policial.
Nuris Pegoretti não quis comentar o pedido da juíza e afirmou que a prisão preventiva foi decretada pelo Ministério Público. Uma atendente do Fórum de Porto Feliz, identificada por Odete, disse que a juíza Daniela Ventrice estará de folga até quarta-feira, cumprindo faltas compensadas pelo trabalho realizado no Juizado de Pequenas Causas.
Mauro foi preso quinta-feira, acusado de ter roubado, em 12 de março, dois aparelhos de telefone celular, dois rádios intercomunicadores e uma arma de funcionários da Fazenda Capoava
no município. O local foi invadido pelo MST em 7 de fevereiro. Em 15 de março, foi decretada a prisão temporária. "Quinta-feira, quando Mauro se apresentou à delegacia com um habeas-corpus do STJ suspendendo a prisão temporária, a juíza afirmou que já havia sido pedida a prisão preventiva", explicou Greenhalgh, que fez uma petição ao STJ. Vidigal determinou a liberação de Mauro.
As ações contra a juíza serão impetradas na Corregedoria da Justiça e no Conselho da Magistratura e, contra a delegada, na Secretaria de Segurança Pública e no Ministério Público.

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