Curitiba - Comprar um ovo de dinossauro fossilizado é mais fácil do que se imagina. O advogado João Luís Teixeira, de Curitiba, está vendendo um pela internet. O ovo pertence a um hadrossauro, uma espécie de dinossauro com bico de pato que viveu há 70 milhões de anos. O material foi retirado de uma jazida chinesa.
Depois que a divulgação da venda do curioso fóssil ganhou destaque nacional na imprensa, Teixeira passou a ser investigado pela Polícia Federal. Ontem ele compareceu para depor e, segundo seu advogado, Beno Brandão, a situação ficou esclarecida. ''Temos toda a documentação que comprova que a importação é legal'', informou o advogado. A reportagem da Folha tentou contato com a delegada federal Ana Zelinda Buffara, mas ela já tinha encerrado seu expediente, uma vez que o depoimento se estendeu até quase as 19 horas.
Os ovos são importados dos Estados Unidos e, segundo Brandão, como qualquer produto comprado em outro país, para entrar no Brasil passa pela alfândega e consequentemente é vistoriada pela Receita Federal. Além disso, o advogado explica que, ao contrário do que se imagina, o ovo fossilizado não é nenhuma raridade, ou seja, sua venda não está destruindo o patrimônio histórico natural da China. ''O importador dos Estados Unidos nos informou que na China existem mais de mil depósitos naturais de ovos fossilizados'', explica. Segundo ele, na China existem até muros construídos com esses fósseis, o que provaria a abundância do material na natureza.
O importador norte-americano, por sua vez, compra os ovos de um revendedor chinês, chamado Michael Zheng. O material vem da Província de Henan, berço de várias descobertas paleontológicas. A embaixada chinesa no Brasil alega que a venda é ilegal.
A venda do ovo se dá pelo site www.mercadolivre.com.br. Em média, cada ovo é vendido a R$ 1 mil. Teixeira já vendeu quatro unidades e tem mais um à venda, mas só deve recolocar a oferta no site nos próximos dias. O produto é entregue pelo correio, e vai cuidadosamente embalado para evitar qualquer dano. O comprador também recebe uma certidão de autenticidade, expedida pelo Museu Georges Cuvier, de Cascavel. A certidão é assinada pela bióloga Marines Bredow, pelo diretor do Museu, Wilson José Mesquita, e por um palestrante autorizado a fazer buscas arqueológicas no Brasil, Douglas Eleandro Mesquita.

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