Advogado vai à Justiça contra site e viedeogame de Biggs
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 26 (AE) - Ronald Biggs, um dos dezesseis assaltantes do trem pagador inglês, em 1963, está na mira da Justiça. O advogado Jorge Beja, que há doze anos luta pela expulsão de Biggs do Brasil, disse que vai entrar com uma ação popular na Justiça Federal contra o inglês, que pretende lançar um site na Internet contando sobre o assalto e também um videogame simulando o crime. Para Beja, o inglês estaria fazendo apologia ao crime.
O site e o videogame serão produzidos pela empresa britânica SCI, que comprou os direitos de um livro escrito por Biggs e planeja transformá-lo em um longa-metragem.De acordo com Beja, Biggs está desobedencendo o artigo 65 do Estatuto do Estrangeiro, segundo o qual "é passível de expulsão o estrangeiro que atente contra a moralidade pública". "As atitudes deles são um achincalhe", afirma o advogado. A Inglaterra, país de origem de Biggs, já pediu diversas vezes a extradição do assaltante, mas em 1997 o Supremo Tribunal Federal arquivou o processo.
A confecção do videogame - "O grande assalto ao trem" - e do site do assaltante também são vistos pelo advogado como motivo para sua extradição. "Isso é mais do que uma apologia ao crime, é uma pedagogia do crime, já que ele vai ensinar como roubar um trem", afirma.No site da empresa SCI (www.sci.co.uk), um texto explica que o jogador poderá escolher fazer o papel dos assaltantes ou dos detetives. O jogo será lançado em 2003, quando, segundo o site, "será comemorado o aniversário de 40 anos do roubo".
Procurado pela reportagem, Ronald Biggs não quis dar entrevista. Seu filho, que está trabalhando com a SCI nos produtos com o nome do pai, diz que não há intenção de incentivar as pessoas a assaltar. "O videogame será 100% sem violência", afirma Michael.


