Curitiba - Uma suposta quadrilha integrada por pelo menos dois advogados teria recebido indevidamente mais de R$ 100 milhões em precatórios trabalhistas devidos pelo governo do Estado a funcionários públicos. A quadrilha seria liderada pelo advogado Carlos Alberto Pereira, que teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Pedro Luís Sanson Corat, da Vara de Inquéritos de Curitiba e está foragido.
Pereira, considerado um dos maiores advogados na área trabalhista, está com autorização suspensa preventiva para trabalhar como advogado desde o dia 5 de julho por causa das investigações internas dos juízes das Varas da Fazenda Pública.
Há pouco mais de dez dias, o caso foi remetido para investigação no Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce). Ontem foi desencadeada uma operação que acabou levando outros quatro supostos integrantes da quadrilha para cadeia. Foram presos: o advogado Messias Alves de Assis (que atuava com Pereira), os empresários Olorbi dos Santos Pinheiro e José da Silva, e a secretária Joana Anelise Ludwig. Além de Pereira, está foragida Dirce Ferreira (que seria a responsável pelas ameaças feitas a vítimas). Outros nove advogados atuariam junto com Pereira em ações trabalhistas em busca de precatórios. Entretanto, não foi comprovada relação criminosa entre eles.
O delegado Sérgio Inácio Sirino, do Nurce, relatou ontem que a quadrilha atuava em três frentes diferentes. A mais comum era através de servidores públicos que procuravam o escritório advocatício para conseguir uma defesa contra o Estado e receber os precatórios devidos. ''Eles atuavam num esquema de distribuição de precatórios das dívidas do Estado com estes ex-funcionários públicos. Só que os créditos, quando conseguidos, não eram repassados para os servidores'', contou o delegado.
A segunda modalidade visava os familiares dos ex-funcionários já mortos. Os advogados buscavam familiares que eram mais humildes e que, muitas vezes, assinavam papéis repassando todos os direitos aos precatórios a advogados e empresas afins. ''Eles nem liam. Acreditavam que receberiam os precatórios e eram passados para trás. Nunca viam o dinheiro'', relatou Sirino.

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