Advogado tenta habeas-corpus preventivo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de novembro de 2002
Agência Estado 
Goiânia - Os últimos dias têm sido difíceis para a família da dona de casa Vilma Martins Costa. Menos de um mês depois da morte do marido, ela é apontada pela polícia como principal suspeita do sequestro de seu filho adotivo, Osvaldo Borges Junior, o Pedrinho, de 16 anos. Os amigos da família contam que ela está extremamente deprimida e chora muito. Abalado com a série de descobertas em tão pouco tempo, o rapaz parou de ir à escola e permanece o tempo todo triste e calado, sempre ao lado da mãe adotiva e das quatro irmãs.
O sobrado da família, no Jardim Europa, permaneceu fechado o dia todo ontem, com a porta cercada pela imprensa. Assim que saiu a notícia de que a polícia do Distrito Federal admitia a participação de Vilma no sequestro de Pedrinho, as filhas e Osvaldo levaram a mãe para a casa de parentes. Ela avisou à imprensa que só se pronunciaria por intermédio de seu advogado. Em curta nota, declarou: ''Podem me crucificar se quiserem. A pressão em cima de mim é terrível, mas não posso confessar algo de que não sou culpada.''
O advogado de Vilma, Ezízio Barbosa, garante que Vilma não planeja fugir e vai aguardar a conclusão do processo ''com a consciência tranquila''. O advogado informou que apresentaria à Justiça ainda hoje (ontem), um pedido de habeas-corpus preventivo. ''Ela é primária, tem residência fixa, bons antecedentes e, mesmo se quisesse fugir, nem teria para onde ir'', argumenta.
Ele disse que o passaporte de Vilma seria entregue à Justiça com o pedido de habeas-corpus. ''Um eventual pedido de prisão seria eivado de ilegalidade.'' Barbosa considera os indícios apresentados pela polícia do Distrito Federal insuficientes para acusar sua cliente do sequestro do menino, ocorrido há 16 anos. ''Quantas pessoas com as mesmas características não passaram por aquele hospital'', questiona. ''Essas investigações não são conclusivas.''
No domingo, Osvaldo Júnior conheceu sua família biológica e havia combinado que passaria o feriado na casa deles, em Brasília. Entretanto, existe agora a hipótese de ele desistir da viagem para amparar a mãe adotiva, que sofre de hipertensão e tem controlado a doença por meio de medicamentos. ''Ela está muito abalada'', conta Barbosa.


