Advogado tenta colocar em liberdade parentes de José Aleksandro
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sexta-feira, 24 de setembro de 1999
Por Chico Araújo, Gilse Guedes e Sônia Cristina Silva 
Brasília, 25 (AE) - O advogado Ruy Alberto Duarte ingressa segunda-feira com um habeas corpus no Tribunal Regional Federal (TRF), em Brasília, na tentativa de relaxar a prisão de Alexandre Alves da Silva e José Andrade Filho, respectivamente irmão e tio do deputado federal José Aleksandro (PFL-AC) que ocupou a vaga deixada por Hildebrando Pascoal, cassado na quarta-feira. Os 26 acusados de envolvimento com grupos de extermínio e tráfico de drogas no Acre chegaram na madrugada de hoje em Brasília, vindos em um avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB). Eles ficarão presos na capital federal por pelos menos 30 dias. Um outro acusado, o policial militar Raimundo Nonato Braga, foi preso ontem e deve ser transferido para Brasília.
Segundo o advogado Duarte, as acusações contra Alexandre e José Andrade são "genéricas e foram feitas por bandidos". "As acusações referem-se a crimes cometidos há oito anos", disse Duarte. "As prisões feitas no Acre são uma ameaça à liberdade", completou o advogado. Hoje, Duarte e o deputado José Alex foram à Superintendência da Polícia Federal no DF, onde estão Alexandre e os demais acusados de envolvimento com grupos de extermínio e tráfico de drogas no Acre. "Vim aqui para trazer um conforto espiritual para meu irmão", disse Alex, que é evangélico e pretendia ler o Salmo 35 para seu irmão, Alexandre da Silva. O deputado, no entanto, não pôde falar com o irmão. A PF só autorizou ao advogado Ruy Duarte conversar com os presos.
Segundo o parlamentar, o seu irmão foi condenado a 12 anos de prisão no Acre por homicídio e não por tráfico. Alexandre matou uma amante do pai, foi condenado e cumpriu parte da pena. Há seis meses, segundo o deputado, o irmão estava em liberdade condicional cuidando da administração da fazenda do pai, morto há oito meses. "Não tenho conhecimento do envolvimento dele com narcotráfico", assegura o deputado. Após conversar com os presos, o advogado Ruy Duarte disse que eles reclamam do excesso de pessoas nas celas e do frio. "Muitos pediram cobertores", informou Duarte, que pretendia atender os pedidos ainda hoje. Oficiais - Os advogados reclamam que os policiais militares de alta patente estão presos com soldados. Eles vão pedir a tranferência dos oficiais acusados para o Comando da Polícia Militar do DF. De acordo com o Comandante da Polícia Militar no Distrito, coronel Antônio Ribeiro da Cunha, caberá à Justiça Federal decidir o local onde deverão permanecer em Brasília.
"Se for o caso, a Polícia Militar poderá transferir os acusados da Superintendência da PF para uma nova unidade da PM dentro do presídio Papuda, do Distrito Federal", explicou o coronel. Ele ainda fará uma inspeção nas instalações da PM no presídio. Na Justiça Federal, até o começo da tarde não havia dado entrada quaquer pedido de transferência dos presos. Injúrias - Eri Varela, advogado do ex-deputado Hildebrando Paschoal, que teve seu mandato cassado pela Câmara na quarta-feira, disse que seu cliente acredita que a Justiça lhe dára o direito de provar que as acusações feitas contra ele não passam de "injúrias e difamações". Varela esteve na quinta-feira à noite para levar alguns utensílios para seu cliente. Hoje, o ex-parlamentar que está preso no quartel do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) recebeu visitas de parentes. Por volta de 12 horas, foi encaminhada para sua cela uma refeição especial.


