Brasília, 12 (AE) - O advogado Herberto Aparecido Guimarães, que defende William Sozza, disse hoje ter ficando "surpreso" com uma entrevista atribuída ao empresário, publicada hoje no jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), segundo a qual seu cliente estaria disposto a se entregar. "Ele não pretende se entregar enquanto as acusações não forem formalizadas pelo Ministério Público", afirma Guimarães.
Na suposta entrevista, Sozza teria afirmado que o caminhoneiro Jorge Meres tinha ligação com o dono da empresa aérea TAM, Amaro Rolim. Hoje, o sub-relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, Robson Tuma (PFL-SP), disse que a informação será investigada. Ele admitiu que um informante da CPI já tinha citado o nome da empresa em outra ocasião.
Segundo a reportagem, Sozza teria dito que estaria disposto a se entregar, por intermédio da Igreja Católica. O empresário teria afirmado que este seria "um bom caminho". O advogado disse, no entanto, que saberia antecipadamente se Sozza tivesse intenção de conceder entrevista por intermédio de um orelhão. "Acho isso muito estranho", afirmou o advogado de Sozza.
A entrevista de Sozza, mesmo não confirmada pelo seu próprio advogado, será motivo para a CPI investigar a empresa aérea. Tuma disse que é necessário tomar muito cuidado para que pessoas e empresas não sejam envolvidas em denúncias que podem não ter fundamento, mas explicou que tudo deve ser investigado. "Isto deve ser apurado", disse. "Pois não é a primeira informação sobre a empresa".
Na mesma entrevista ao "Correio Popular", Sozza teria afirmado que está fazendo um "levantamento" sobre "a ficha" de Jorge Meres. Meres é o caminhoneiro que denunciou toda a quadrilha de tráfico de drogas que agia no País. Participariam da quadrilha o próprio Sozza, os ex-deputados Hildebrando Pascoal (AC) e José Gerardo (MA), além do atual deputado Augusto Farias (PPB-AL). Sozza teria dito que numa conversa com Meres este "citou até o dono da TAM, o comandante Rolim", como pessoa com quem teria trabalhado. Segundo Sozza, Meres teria lhe mostrado o cartão de Rolim. Passagem - Em seguida, Sozza disse que Meres afirmou que, se precisasse de uma "passagem a preço miserável", conseguiria com o comandante Rolim. Sozza teria dito que não estava envolvendo Rolim em um "esquema", mas apenas dizendo o que ouvira de Meres. Procurado pela reportagem, Rolim não foi encontrado até o início da noite.
O jornal revela que Sozza estava "em um telefone público qualquer, em um acostamento qualquer". "Se houvesse alguma negociação para a entrevista, eu estaria sabendo", insistiu o advogado Guimarães. Na mesma entrevista, Sozza teria dito que conhecia os "acertos" sobre roubos de cargas, que eram feitos em sua boate em Campinas, a Paradise.
Sozza teria admitido ter entrado como "laranja" no esquema pelo conhecimento pessoal que tinha do "negócio", mas não explicou que negócio seria esse. O empresário teria ainda afirmado que no momento em que "a verdade aparecer" será "um rebuliço maior do que está acontecendo".

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