Advogado questiona exame da OAB e acusa reserva de mercado
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sexta-feira, 06 de maio de 2005
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O alarmante índice de 91% de reprovação dos formados de Direito no mais recente Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Paraná (OAB/PR), não só gerou indignação da própria entidade como também de quem faz o teste. O advogado Marcelo Jugend que já discute o teor e a correção das provas desde o ano passado, quando sua filha, Débora, falhou na avaliação voltou a questionar o exame.
De acordo com Jugend, falta critério e independência dos corretores da OAB/PR e o baixo índice de aprovados seria uma forma de reserva de mercado. Débora realizou seu terceiro Exame de Ordem em agosto do ano passado. O advogado, que passou pelo mesmo teste há 30 anos, avaliou a prova através de seu conhecimento e de três professores, reconhecidos nacionalmente na área, e garante que sua filha não deveria ser reprovada.
''Eles (OAB-PR) não estão interessados em aprovar quem tem condições, não querem que passe mais de 20%. A quantidade de pegadinhas é enorme. Eles perguntam coisas que não têm nada a ver com o cotidiano de um advogado, como 'o que é arribada forçada?', que faz parte do Direito Marítimo. Trabalho como advogado trabalhista há 20 anos e nunca ninguém viu isso acontecer, isso é folclore'', disparou.
Além do conteúdo, Marcelo questiona os profissionais que atualmente fazem parte da Comissão do Exame de Ordem. De 14 tópicos apresentados na prova subjetiva de Débora, 13 tiveram exatamente a mesma nota, o que levou o advogado a desconfiar da independência dos corretores. ''Um matemático me disse que a chance disso acontecer é de uma para 555 mil. Estou disposto a debater com o pessoal esses critérios e o exame'', sugeriu.
O presidente da OAB/PR, Manoel Antônio de Oliveira Franco, rebateu as acusações de Marcelo dizendo que não houve falha no critério ou na independência dos corretores. ''A prova dele (da filha de Marcelo, Débora Jugend) foi revisada por um grupo de professores, que chegaram à mesma nota. Não temos três, quatro ou cinco professores, temos dez, 15 professores para fazer isso. De três mil provas, são 40 ou 50 corretores para fazer a correção e pode haver uma diferença mas não o que ele diz'', explicou.
Franco descartou qualquer possibilidade da baixa aprovação ser utilizada para fazer reserva de mercado de trabalho dos profissionais de advocacia. ''Isso é balela. No nosso Exame de Ordem todos aqueles que alcançarem a nota mínima passam. Não é classificatório.'' Ele também voltou a frisar a razão do alto índice de reprovação e o estudo para viabilizar mudanças no Exame de Ordem. ''Cursos desqualificados é que estão causando esse índice. Volto a dizer que ficamos surpresos com o resultado e estamos revendo o exame'', concluiu.


