Rio, 21 (AE) - A principal estratégia do advogado Luiz Guilherme Vieira, contratado pelo ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes para defendê-lo, deve ser a tentativa de anulação da busca e apreensão de documentos na residência de seu cliente. Hoje, Vieira não quis revelar quais serão as providências judiciais a serem tomadas contra a execução do mandado de busca, mas deixou claro que está empenhado em comprovar a ilegalidade do procedimento do Ministério Público Federal do Rio e da Polícia Federal. "As ações ocorrerão num momento oportuno; nada será imediato".
Vieira voltou a classificar de "ilegal" a operação do Ministério Público. "Entre ficar com as argumentações desse grupo de procuradores, dos constitucionalistas e da jurisprudência dominante, prefiro ficar com os dois últimos". Entre as provas encontradas por uma equipe de policiais federais e do MPF, está uma carta na qual o ex-sócio de Lopes na empresa Macrométrica, Sérgio Bragança, reconhece que US$ 1,675 milhão depositados por ele em conta no exterior pertence ao ex-dirigente do BC.
Questionado sobre a existência da carta que teria sido escrita por Sérgio Bragança, Vieira disse que ainda está "tomando pé da situação". "A única coisa que eu posso garantir é que essa busca é ilegal". "Ou existe lei, ou não." Segundo ele, sua equipe esteve segunda-feira na Justiça Federal e foi informada pela juíza da 6.ª Vara Criminal, Ana Paula Vieira de Carvalho, de que nenhuma medida havia sido tomada pelo MPF para a divulgação e liberação dos documentos. Polícia - Segundo o advogado, o Ministério Público não tem poder de polícia, função que teria sido exercida pelos procuradores durante a busca na residência de Lopes. "Todo mundo sabe que a operação foi feita pelos procuradores e a Polícia Federal só estava acompanhando", afirmou. Vieira disse que ainda não teve acesso aos documentos apreendidos.
Entre uma das irregularidades cometidas pelo MPF, segundo disse, está a confirmação, pela família de Francisco Lopes, de que a ela não foi entregue nenhuma cópia do que foi apreendido na residência. Ele criticou ainda a existência de várias investigações sobre o caso e acusou os integrantes do Ministério Público no Rio de buscarem uma "efêmera publicidade". "Acho que a existência de uma investigação no Rio é um desrespeito à CPI".
Desaparecimento - Sobre o paradeiro de Lopes, Veira informou apenas que seu cliente está recolhido na casa de parentes e amigos. "Eu o orientei a não dar mais entrevistas; estão cometendo um massacre a um homem público e rasgando a Constituição na frente das pessoas", concluiu. Hoje, o ex-dirigente do BC não foi visto entrando ou saindo de seu prédio, em Copacabana, na zona sul, e, em sua casa, uma mulher disse apenas, por telefone, que foi orientada a não dar informações.

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