O advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Londrina, Gerson da Silva, pediu ontem ao juiz da 10ª Vara Cível, Mário Nino Azzolini, que reveja o mandado de reintegração de posse da Fazenda Tamar, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina), ocupada há 15 dias por 600 famílias.
Silva sugeriu ao juiz uma audiência de conciliação em razão do clima de tensão que tomou conta da fazenda, onde estão aproximadamente 1.800 pessoas. Elas vivem precariamente em uma ‘minicidade’ de lona preta’’ erguida próximo à sede da propriedade. Gerson da Silva também esteve ontem à tarde no 5º Batalhão da Polícia Militar tentando evitar uma operação de surpresa para desocupar a área.
Desde a noite de quinta-feira os integrantes do MST permanecem em estado de alerta na fazenda Tamar em razão dos rumores de que a Tropa de Choque desocuparia o local. Nas duas últimas madrugadas grupos de sem-terra se posicionaram de maneira estratégica, portando porretes e foices. O comandante do 5º BPM, Robenson Máximo Fim, admitiu que o plano de desocupação já está montado, mas garantiu que a PM só deverá agir após o término da greve dos caminhoneiros.
Uma das lideranças na ocupação que se identifica apenas por ‘‘JB’’, afirma que o MST aguarda uma proposta alternativa do governo pois há muita terra improdutiva na região. Ele garante que haverá resistência se a posição for somente de cumprir o mandado de reintegração de posse. ‘‘Se ele (governo) vier com uma proposta de um local para colocar a companheirada a gente sai tranquilamente. Do contrário, a gente tem muita foice aqui’’, avisou.

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