O desembargador William Silva, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, decide hoje à tarde se dá liminar suspendendo o júri do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior marcado para o dia 16 em Pedro Canário, a 270 quilômetros de Vitória. O pedido foi feito pelo deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado de defesa de Rainha, porque a 1ª Câmara adiou para o dia 17, quarta-feira, o resultado do julgamento do pedido de transferência do júri para Vitória.
Silva disse que vai analisar se não vai estar ‘‘roubando a competência’’ do juiz de Pedro Canário, Sebastião Mattos Mozine, se for decidir se suspende ou não o júri. O desembargador votou favoravelmente à realização do júri em Vitória, no julgamento do pedido de desaforamento (transferência), iniciado na quarta-feira da semana passada. O deputado revelou que segunda-feira fez pedido de suspensão também a Mozine, mas o juiz pode simplesmente se abster de tomar alguma decisão.
O presidente da 1ª Câmara, Wellington Citty, garantiu que não vai deixar de dar seu voto no julgamento do pedido de transferência - o último que falta para decidir a matéria. O terceiro desembargador integrante da Câmara, Raimundo Siqueira, votou ontem contra a mudança de local do júri. O julgamento foi suspenso por Citty, que pediu vista de uma nova prova trazida por Greenhalgh ontem: reportagem do jornal ‘‘O Globo’’ na qual um morador de Pedro Canário disse que a condenação de Rainha era certa, se ele fosse julgado de novo no município.
O voto favorável à transferência do desembargador William Silva vai ser um instrumento que Greenhalgh pretende usar, se o desaforamento for negado pela justiça capixaba e ele tiver de recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. O STJ também vai ser uma instância de recurso para o defensor de Rainha, se for negado o pedido de suspensão. Greenhalgh afirmou que ‘‘nos próximos dias’’ devem surgir ‘‘fatos novos’’ que demonstre a necessidade de desaforamento do júri.
Depoimento do pedreiro Miguel Rodrigues Fonseca, réu no processo de duplo homicídio no qual também é acusado o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior, pode ser usado contra o militante sem-terra.
Fonseca, que estava foragido e se apresentou à Justiça de Pedro Canário anteontem, declarou ter visto Rainha entre ‘‘60 e 90 dias’’ antes dos assassinatos. A informação contraria o álibi do líder sem-terra, que sempre disse ter se mudado do Espírito Santo para o Ceará em outubro de 1988 - seis meses antes do crime.

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