São Paulo, SP - Uma operação conjunta da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e autoridades uruguaias prendeu ontem de forma preventiva o advogado Milton José de Oliveira Neves e outras nove pessoas acusadas de envolvimento num esquema de criação de ''laranjas'' e empresas em paraísos fiscais - os chamados offshore.
De acordo com a polícia, Neves é proprietário de um dos maiores escritórios de advocacia tributarista do País. Ele é suspeito de ser o cabeça de um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal.
Na ação, batizada de Operação Monte Éden - monte em alusão à capital uruguaia e éden numa referência a paraíso fiscal -, a PF cumpre cerca de 30 mandados de prisão e cerca de 80 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Ceará, Pernambuco e Paraná.
As fraudes teriam sido descobertas a partir de investigações do esquema do empresário Antônio Carlos Chebabe, preso no ano passado em Campos, no Rio de Janeiro, acusado de envolvimento num grande esquema de sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.
De acordo com a PF, após a criação de off-shores no Uruguai, a suposta quadrilha, formada por advogados e contadores, utilizava-se das empresas estrangeiras e constituía sociedades limitadas no Brasil que encontram-se em nome de ''laranjas''.
Segundo a PF, inicialmente, eram celebrados contratos de prestação de serviços, com valores superiores a R$ 100 mil, entre a suposta quadrilha e os ''clientes'', por meio do qual as empresas nacionais e estrangeiras eram utilizadas para ''blindar'' o patrimônio do ''cliente''.
Ainda segundo a PF, o escritório de advocacia criou e utilizou mais de uma dezena de empresas nacionais, sempre com sociedades anônimas uruguaias como proprietárias. Apenas no ano de 2004, teria sido movimentado cerca de R$ 20 milhões em nome das empresas de ''fachada'' que, de fato, pertencem ao escritório de advocacia.
No Paraná, a operação da Polícia Federal resultou na prisão, ontem pela manhã em Maringá, de um contador e um diretor do Frigorífico Canção, acusados de envolvimento em um esquema de sonegação fiscal. No local foram recolhidos vários documentos, que seriam remetidos para São Paulo.

mockup