Advogado pedirá habeas corpus para Sozza
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 28 (AE) - O advogado Herberto Aparecido Guimarães pretende ingressar com um pedido de habeas corpus em favor de seu cliente, o empresário Willian Walder Sozza, que está foragido desde o dia 14, quando teve a prisão temporária decretada pela Justiça do Maranhão. Sozza é acusado de responder pela conexão em Campinas de uma suposta quadrilha de roubo de caminhões, tráfico de drogas, e lavagem de dinheiro, comandada pelo deputado federal cassado do Acre, Hildebrando Paschoal.
"Até agora há contra meu cliente apenas acusações que não foram comprovadas e nenhuma denúncia formal do Ministério Público", disse o advogado. A informação de que Sozza comandaria uma das conexões da suposta organização criminosa foi dada há duas semanas pelo próprio motorista do empresário, Jorge Méres Alves, em depoimento à CPI do Narcotráfico. Guimarães assumiu a defesa de Sozza hoje, em substituição ao advogado Artur Eugênio, que decidiu abandonar o caso há uma semana.
"Minha primeira providência será ir até o Maranhão para verificar nos autos a fundamentação da prisão temporária", disse Guimarães. Segundo ele, há uma "grande possibilidade" de ingressar com pedido de habeas corpus em favor de Sozza. "A opinião pública nesse caso pesa muito, mas confio no poder judiciário", disse o advogado, que esperava receber ainda hoje uma procuração do empresário para começar a agir.
O documento, segundo Guimarães, seria entregue em seu escritório, no centro de Campinas, por dois irmãos de Sozza. "Ainda não tive nenhum contato com meu cliente e não sei onde ele está", garante. Segundo ele, o fato de Sozza estar foragido não representa um agravante. "Ele está recebendo tantas acusações, que essa atitude funciona como proteção para poder provar sua inocência", explica. Na próxima semana, os integrantes da CPI do Narcotráfico deverão se deslocar para Campinas. O objetivo é aprofundar as investigações sobre o envolvimento de empresários da cidade na suposta quadrilha liderada apor Hildebrando Paschoal. Deverão ser ouvidos o ex-presidente do Guarani Futebol Clube Luiz Roberto Zini; o ex-sócio de Sozza Geraldo da Silva Burdini Júnior; e o corretor de imóveis Paulo Roberto Cunha Deneno. Todos foram citados em depoimentos feitos à CPI.
Zini nega as acusações e diz ter pressa em falar à CPI para provar sua inocência. Burdini Júnior, apontado pela CPI como "laranja" de Sozza, não quer falar sobre o assunto. A Polícia Federal também já está investigando uma denúncia de que o Aeroporto de Limeira, na região de Campinas, teria sido usado como um dos pontos para o esquema de narcotráfico montado pela suposta quadrilha.


