Advogado pedirá habeas corpus para irmão de Íris Rezende
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sábado, 06 de março de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 07 (AE) - O advogado Ney Moura Teles vai entrar nessa semana com um pedido de habeas corpus para evitar que o ex-senador e médico Otoniel Machado (PMDB-GO) cumpra o mandato de prisão no quartel da Academia de Polícia Militar, em Goiânia. Para Teles, a prisão do político foi ilegal, até porque ele nunca havia sido intimado pela Polícia Federal para dar esclarecimentos sobre as denúncias de que está sendo acusado. "Foi uma prisão ilegal e desnecessária, até porque ele tem endereço conhecido", argumentou o advogado.
Irmão do ex-ministro e senador Íris Rezende (PMDB-GO), Otoniel Machado teve a prisão preventiva decretada na noite de sexta-feira pela Justiça Federal depois de ter sido comprovada a existência de indícios da sua participação no desvio de mais de R$ 6 milhões do cofre estadual, às vésperas do segundo turno das eleições estaduais no ano passado. O escândalo ficou conhecido em Goiás como o "Caso Caixego", já que o dinheiro retirado seria utilizado para o pagamento de ex-funcionários da extinta Caixa Econômica de Goiás.
Segundo o advogado, houve um "exagero" da Justiça Federal ao decretar a prisão preventiva de Otoniel Machado. "No inquérito da Polícia Federal sequer constava o nome do meu cliente", observa Teles. Ontem, Otoniel foi transferido para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Neurologia de Goiania. Ele está internado no hospital desde sexta-feira, depois de ter passado ao receber a notícia de sua prisão. Fontes da Polícia Federal desconfiam que a transferência de Otoniel Machado para UTI é uma estratégia para conseguir tempo e evitar o constrangimento da sua prisão.
Hoje, o juiz federal Alderico dos Santos Machado pediu a transferência de Otoniel para Hospital de Urgência de Goiânia, principal emergência pública da cidade, mas o oficial de justiça que foi ao Instituto de Neurologia para cumprir a determinação judicial não teve sucesso. O oficial constatou que não havia nenhum medicamento na planilha de Otoniel Machado, o que reforçou a suspeita da Polícia Federal. Até o início da noite de ontem o juiz Alderico dos Santos Machado tentava formalizar a transferência de Machado.
O boletim médico divulgado pela direção do Instituto de Neurologia informou que o político foi acometido por uma crise de hipertensão, decorrente de estresse. Sua pressão chegou a 24/13, enquanto a pressão normal é de 12/8. Ele está sob rigorosa observação médica e sem previsão de alta. "A responsabilidade pela vida de Otoniel é do Estado", ameaçou o advogado Teles. O senador Íris Rezende está evitando falar sobre o assunto. Durante o final de semana, uma romaria de políticos do PMDB de Goiás passou pelo apartamento do ex-ministro da Justiça para prestar solidariedade.
Otoniel, que além de suplente foi coordenador da campanha de Íris, é acusado pelo Ministério Público de ter administrado o dinheiro desviado do cofre estadual para a campanha de Íris. Além dele, foi preso em janeiro o ex-liquidante da Caixego e ex-diretor do Banco do Estado de Goiás, Edivaldo Andrade.


