Itapura, SP, 24 (AE) - O advogado Mauro Suman pediu hoje a reintegração de posse da fazenda Entre Rios, em Itapura, a 600 quilômetros São Paulo. Com 802 hectares, ela foi ocupada no fim de semana por 50 famílias de sem-terra. Suman disse que a propriedade, de Maria Terezinha Orient, é produtiva, ao contrário do que alegam os militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.A ação de reintegração de posse, com pedido de liminar, deu entrada no Fórum de Pereira Barreto.
De acordo com o advogado, cerca de 400 hectares estão ocupados com cana-de-açúcar, 80 com milho e o restante da terra seria usada para a criação de 700 cabeças de gado. Suman afirmou ainda que a fazenda nunca passou por vistoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) nem esteve relacionada entre as preferenciais para reforma agrária. Os sem-terra destruíram parte de uma cerca de arame para entrar na propriedade, furam poços e já montaram 40 barracos de lona.
O coordenador regional do MST, Lourival Plácido, disse hoje que a Fazenda Entre Rios foi escolhido por ser um latifúndio praticamente sem produção. O MST, segundo Plácido, pretende acomodar na fazenda Entre Rios cerca de 200 famílias. Além disso, ele afirma que o município Itapura foi escolhido pelo movimento para abrigar cerca de 500 famílias. De acordo com Plácido, as terras daquela região são todas devolutas e pertencem ao Exército desde a inauguração da Vila Militar, no século passado, durante a Guerra do Paraguai. Nas contas do MST no município de Itapura e região há cerca de 30 mil hectares invadidos pelos fazendeiros, mas que originalmente pertenciam ao Exército.

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