Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O advogado Aparecido da Silva Martins, que representa pescadores profissionais em ação contra a Itaipu Binacional, ingressou ontem na 2ª Vara Cível da Justiça Federal, em Foz do Iguaçu, com um pedido de inspeção judicial em áreas afetadas pela redução do volume de água do Lago de Itaipu.
Martins pretende comprovar que a medida adotada pela empresa para socorrer a demanda nacional de energia elétrica está provocando graves prejuízos ambientais.
Se o pedido for acatado, o laudo emitido deverá servir como prova na ação já movida por quatro colônias de pescadores da região – Foz do Iguaçu, Guaíra, Marechal Cândido Rondon e Santa Helena.
A ação, em tramitação desde o início do ano passado, pede a indenização dos pescadores. Eles reclamam que, com a formação do lago, desapareceram os chamados peixes nobres – como pintado e dourado –, com maior valor de mercado.
O advogado afirmou que os peixes e os moluscos (que servem de alimentação às espécies) estão morrendo nas margens do lago. ‘‘Com o rebaixamento, é possível verificar nas poças que se formaram milhares de alevinos (filhotes de peixes) morrendo. Na próxima temporada de pesca isso poderá ter sérias consequências’’, disse.
Martins afirmou que Itaipu só pagou indenizações aos proprietários das terras alagadas e que ainda paga royalties aos municípios para ressarcir os danos, porém não indenizou os pescadores.
O gerente do Departamento de Planejamento Regional de Itaipu, Elias Absy, declarou que o rebaixamento não provocará grandes danos ambientais. ‘‘O volume d’água é muito grande e não haverá efeito sobre a vida dos peixes.’’ A cota normal do lago é de 220 metros (acima do nível do mar) e até 10 de dezembro deverá chegar a 217 metros.

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