Advogado pede para atuar na acusação de Rainha
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terça-feira, 25 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
RIO - Um advogado de São Paulo ofereceu-se para atuar como assistente de acusação no julgamento do líder do Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior, por homicídio duplamente qualificado, no dia 19 de março, em Pedro Canário, no norte do Espírito Santo. A informação é de Alice Machado, filha de uma das vítimas, o fazendeiro José Machado, assassinado em 1988 junto com o soldado da Polícia Militar José Narciso, quando foi averiguar uma ocupação MST em sua propriedade.
Segundo Alice, a promotora de Pedro Canário, Elfrida Kruger, responsável pela acusação no júri de Rainha, foi procurada há um mês e ainda não respondeu à oferta. Ela disse que iria estudar, porque, com um assistente, diminuiria o tempo da promotoria expôr seus argumentos no debate, explicou a filha de Machado. A promotora não foi localizada para informar o nome do advogado.
O juiz de Pedro Canário, Sebastião Matos Mozine, calcula ter recebido de 1,2 mil a 1,5 mil cartas e abaixo-assinados de integrantes de organizações não-governamentais (ONGs) pedindo a absolvição de Rainha. A correspondência foi enviada tanto do Brasil como da França, Espanha, Itália, Suécia, Suíça e Estados Unidos.
Apesar do interesse que o julgamento deve despertar, e das dependências pequenas do Fórum de Pedro Canário, a promotora Elfrida já informou ao juiz Mozine que não vai pedir a transferência do julgamento para outro município. O advogado de defesa de Rainha, Aton Fon Filho, pode fazer isso até o dia 19 de março, em pedido ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES).
O Fórum de Pedro Canário enviou cinco convocações para testemunhas arroladas para a defesa de Rainha para o Ceará, onde ele afirma que estava no dia em que Machado e Narciso foram assassinados. Até agora, apenas duas testemunhas responderam que receberam a correspondência, mas Mozine explicou que elas não são obrigadas a testemunhar. Se elas não quiserem, o júri vai ser realizado da mesma maneira, afirmou.
A acusação também arrolou cinco testemunhas, todas residentes em Pedro Canário. Rainha ainda não respondeu à intimação para que ele compareça ao fórum do município a fim de responder ao júri. Caso o oficial de Justiça não consiga localizá-lo até a véspera do julgamento, ele pode ter sua prisão decretada. O líder dos sem-terra é o único dos nove acusados pelo duplo homicídio que vai ser julgado. Os outros acusados estão foragidos desde a época do crime.


