Advogado pede habeas corpus para suspender prisão de Telmo
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 28 (AE) - O advogado Carlos Kenigsberg, que representa o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo - principal suspeito do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - entrou com um pedido de habeas corpus, com liminar, para suspender o pedido de prisão preventiva do agente. Telmo está com prisão decretada desde o último dia 13 pelo juiz da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio, Alexandre Libonati.
A ameaça feita por Telmo ao ex-técnico da Telerj Waldeci Alves de Oliveira, gravada numa escuta legal feita pela própria Abin, é um dos fundamentos da decretação da prisão. Em seu despacho, o juiz considera que a ameaça corrobora as razões apresentadas pelo Ministério Público Federal para pedir a detenção do agente. Uma é a ameaça à instrução criminal: Telmo teria ameaçado o ex-policial federal Célio Arêas da Rocha, que depôs em juízo incriminando o agente, e o procurador da República Artur Gueiros.
O outro fundamento, o de que Telmo pode ameaçar a ordem pública, foi tirado da conversa que o agente e Rocha tiveram em agosto, num almoço gravado pela Abin. Há trechos que indicam o envolvimento do agente em outros grampos, então em curso - e, em dado momento, ele diz que será preciso "dar um jeito" no ex-técnico da Telerj. Em seu depoimento à Polícia Federal, Oliveira disse ter sido convidado para o grampo no BNDES pelo detetive particular Adilson Alcântara de Matos, também indiciado no inquérito e apontado pela polícia como "sócio" de Telmo.
Para o advogado, porém, inexiste nos autos qualquer prova de que Telmo tenha ameaçado Rocha ou Gueiros, ou que tenha participação em grampos. Kenigsberg argumenta que os fundamentos do pedido de prisão baseiam-se unicamente no depoimento do ex-policial. O advogado diz ainda que seu cliente tem o direito de não se apresentar à Justiça até a concessão da liminar.


